Khadafi estará ainda na residência de Trípoli já cercada pelos rebeldes

22.08.2011 - 08:15 Por PÚBLICO
O líder líbio Muammar Khadafi, que viu já ontem o seu regime desmoronar nas ruas de Trípoli com a chegada dos combatentes rebeldes aplaudida pela população, continua ainda na sua residência na capital, no complexo militar de Bab Al-Aziziya.
Esta informação foi confirmada por um diplomata que se encontra em Trípoli e onde se reuniu com o coronel nestas últimas duas semanas de contestação ao regime autocrático com que Khadafi governou a Líbia ao longo de mais de quatro décadas.
Fortes combates prosseguem esta manhã em redor de Bab Al-Aziziya, a enorme fortaleza de Khadafi na capital que foi alvo de vários raides da missão da NATO desde o início das suas operações, mandatadas pelas Nações Unidas, em Março passado. Muitos dos edifícios do complexo estão destruídos mas existe uma enorme rede de bunkers subterrâneos onde se crê que o coronel esteja abrigado.
Durante a noite o movimento rebelde – que lançou esta ofensiva sobre Trípoli ainda na tarde de sábado, em coordenação com o Conselho Nacional de Transição, o órgão político da rebelião – conseguira já o controlo da Praça Verde, local simbólico onde os apoiantes do regime se reuniram amiúde nos últimos meses dando aval ao coronel. Os combates, cada vez mais intensos, estão agora centrados junto a Bab Al-Aziziya, de acordo com os correspondentes das agências noticiosas estrangeiras na capital líbia.
São registados confrontos violentos, com recurso a armamento ligeiro e pesado, desde as 6h00 (locais, menos uma em Lisboa), na zona sul de Trípoli. Tiroteios foram ouvidos também nas proximidades do hotel Rixos, onde se encontram alojados vários jornalistas estrangeiros.
De olhos postos nesta batalha por Trípoli, a comunidade internacional tenta aferir durante quanto tempo as forças de Khadafi irão resistir à ofensiva rebelde, tendo a União europeia frisado já que está “activamente a planear” uma Líbia sem o coronel. “Os planos pós-Khadafi estão em curso. Temos trabalhado numa série de cenários no que toca ao nosso apoio na era pós-Khadafi”, afirmou porta-voz da chefe da diplomacia da UE.
Por seu lado, a África do Sul veio já desmentir os rumores de que o país teria enviado aviões para Trípoli para dar “uma saída” a Khadafi. O ministro sul-africano dos Negócios Estrangeiros garantiu que não vão “tirar” Khadafi da Líbia, mas reiterou igualmente que o seu país não reconhecerá “neste momento” legitimidade ao Conselho Nacional de Transição caso caia o regime.
Notícia actualizada às 9h20


