O reeleito Presidente do Afeganistão prometeu hoje “aprender com os seus erros” e pôr fim à “cultura de impunidade” que impera no seu país.
Hamid Karzai prestou juramento e fez o seu discurso de investidura para um novo mandato de cinco anos numa cerimónia rodeada de grandes medidas de segurança e na presença de 800 convidados, incluindo o Presidente paquistanês Asif Ali Zardari e a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton.
“Devemos aprender com os nossos erros e com os nossos fracassos ao longo dos últimos oito anos”, afirmou Karzai. Desde que a sua reeleição foi confirmada - apesar da fraude que se sabe estar na sua origem - não tem passado um único dia sem que um responsável ocidental não aponte erros e faça exigências a Karzai.
O Presidente que os Estados Unidos e a ONU escolheram no fim de 2001 para liderar o Afeganistão pós-taliban, e que os afegãos elegeram por larga margem em 2004, está hoje mais fragilizado do que nunca, perante os afegãos e face aos líderes dos países que têm tropas no terreno e apoiam financeiramente o seu país.
“A cultura de impunidade deve ter fim” no Afeganistão, disse. Entre as suas frases de hoje, terá sido esta a que mais respondeu ao que lhe tem sido pedido: que combata à corrupção instalada em todos os níveis do governo, que se afaste dos corruptos e dos “senhores da guerra”.
Mas Karzai fez outra afirmação que países ocidentais com tropas nos seus países também terão gostado de ouvir: “Esperamos que as forças afegãs possam assumir a responsabilidade da segurança daqui a cinco anos”, disse. Antes disso, “o Afeganistão quer liderar as operações em áreas não seguras nos próximos três anos”.
Nos últimos dias, a NATO, mas também os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha, os países com os maiores contingentes no Afeganistão, têm admitido manter as suas tropas ou até reforçá-las nos próximos tempos, mas começaram a falar em apresentar em simultâneo calendários de retirada.
Londres propôs receber uma conferência em Janeiro para discutir a situação afegã e quer que nela se defina um calendário de transferência progressiva de províncias para os afegãos.
Karzai também estendeu a mão ao seu principal adversário nas presidenciais de Agosto, Abdullah Abdullah, que desistiu de participar numa segunda volta por considerar que esta seria marcada por tantas fraudes como a primeira. O Presidente convidou o tajique a participar num “governo de unidade nacional”. No passado, Abdullah disse que não o faria.
Apesar das promessas feitas hoje por Karzai, a verdade é que as fez ao mesmo tempo que investia os seus dois vice-presidentes, dois antigos chefes de guerra de reputação muito controversa. O hazara Karim Khalili, mas sobretudo Mohammad Qasim Fahim, um tajique acusado de violações dos direitos humanos e de tráfico de droga.


