O antigo líder dos sérvios da Bósnia, que começou por boicotar o seu julgamento, vai estar amanhã em tribunal, dizem os seus conselheiros legais.
Radovan Karadzic, acusado de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, boicotou as primeiras sessões, a semana passada, e vai também estar ausente da audiência de hoje.
Para amanhã está marcada uma audiência para avaliar as consequências deste boicote no desenrolar do processo. Karadzic diz precisar de mais tempo para preparar a sua defesa.
“Ele não vai aparecer hoje. Vai estar amanhã porque quer ajudar a encontrar uma solução para o problema”, disse à Reuters Marko Sladojevic, um dos conselheiros. “Esperamos que o tribunal nos dê o tempo necessário para nos prepararmos. Calculamos que precisamos de dez meses e essa é a nossa única posição.”
Karadzic, capturado em Julho de 2008 em Belgrado, corre o risco de o tribunal decidir impor-lhe um defensor oficioso, mas isso poderá acarretar um atraso ainda maior, já que um novo advogado precisará de se pôr a par do processo.
Nas primeiras audiências, sem Karadzic, a acusação apresentou-o como o “comandante supremo” da “limpeza étnica” cometida durante a guerra da Bósnia que fez cem mil mortos e 2,2 milhões de deslocados.
Karadzic é acusado do massacre de Srebrenica, em que morreram entre sete e oito mil homens e rapazes, “o maior massacre na Europa desde a Segunda Guerra”, descreveu o procurador Alan Tieger; e dos bombardeamentos e disparos de snipers sobre Sarajevo que deixaram dez mil civis mortos durante toda a guerra.



