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Antigo líder dos sérvios bósnios compareceu pela segunda vez em tribunal

Karadzic recusa pronunciar-se sobre crimes de que é acusado

29.08.2008 - 14:22 Por Agências

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Karadzic foi capturado no final de Julho, na Sérvia Karadzic foi capturado no final de Julho, na Sérvia (Ranko Cukovic/Reuters)
O antigo líder dos sérvios da Bósnia Radovan Karadzic compareceu hoje pela segunda vez perante o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPI-J), tendo recusado pronunciar-se sobre os crimes de que é acusado, o que equivale a uma declaração de inocência.

“Tal como já disse anteriormente, recuso pronunciar-me” sobre as acusações, declarou Karadzic, depois de o juiz britânico Iain Bonomy ter lido as onze acusações por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio que lhe são imputadas pelo seu envolvimento na guerra da Bósnia, que terminou em 1995 com o pesado balanço de cem mil mortos e mais de 2,2 milhões de deslocados.

“Nesse caso, e conforme aos procedimentos, apresento em seu nome uma declaração de inocência”, retorquiu o magistrado.

Na sua primeira comparência em tribunal, a 31 de Julho, Karadzic recorreu a um pressuposto legal que concede aos arguidos 30 dias para analisarem o processo antes de se pronunciarem inocente ou culpado.

Presente durante breves minutos em tribunal, o antigo líder sérvio bósnio confirmou que vai prescindir do direito a ser representado por um advogado, reafirmando que pretende defender-se a si próprio.

“Ainda não completei a minha equipa de associados e auxiliares” jurídicos, explicou Karadzic, acrescentando que não se pronuncia sobre os crimes que lhe são imputados, uma vez que a procuradoria ainda não apresentou uma nova versão da acusação.

Após a captura de Karadzic na Sérvia e a sua transferência para Haia, o procurador-geral do TPI-J, Serge Brammertz, anunciou que estava a trabalhar numa nova acta de acusação, uma vez que a existente remonta a 2000 e desde então foram descobertos novos factos.

Durante a sessão de hoje, o arguido voltou a questionar a legitimidade do TPI-J, que classificou como uma "marioneta da NATO" e, à semelhança da primeira audiência, disse temer pela sua vida.

O homem mais procurado na Europa

Radovan Karadzic foi capturado pela polícia sérvia, a 21 de Julho, após doze anos de fuga à justiça. Para ludibriar as autoridades, criou uma falsa identidade, apresentando-se como perito em medicina tradicional e, disfarçado com uma longa barba e aos cabelos compridos, chegou mesmo a participar em conferências públicas.

Karadzic era, juntamente com o seu comandante militar Ratko Mladic, ainda a monte, um dos fugitivos mais procurados na Europa. Depois da sua captura, a União Europeia prometeu acelerar a implementação dos acordos de cooperação com Belgrado.

Líder da minoria sérvia da Bósnia após a autoproclamação da independência desta ex-república jugoslava, Karadzic é acusado de ter orquestrado, com o apoio de Belgrado, uma campanha de limpeza étnica nas zonas que controlava. O mais grave destes actos ocorreu no Verão de 1995 no enclave muçulmano de Srebrenica onde, depois da entrada das forças sérvias, foram executados cerca de oito mil civis. É ainda acusado de ter liderado os 43 meses de cerco a Sarajevo, a capital Bósnia, e de ter ordenado a detenção de milhares de civis em campos de detenção, nomeadamente na região de Prijedor, no noroeste da Bósnia.

Segundo fontes judiciais, o seu julgamento deverá começar no início do próximo ano, mas se, até lá, a procuradoria apresentar uma nova acta de acusação, Karadzic deverá voltar a ser ouvido em audiência preliminar.

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Comentário + votado

A cretinisse deve existir, mas tanta chega a aborrecer

Cá para nós que ninguèm nos ouve, o que está a fazer falta a este mundo de hipócritas e de sabujos, ...

antinazista

30.08.2008 13:29

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