Junta militar da Birmânia aperta controlo sobre Internet e linhas telefónicas

27.09.2007 - 13:49 Por PUBLICO.PT
Com imagens, vídeos e depoimentos a ilustrar cenários de violência nas ruas de Rangum na sequência das manifestações dos últimos dias, a junta militar tenta agora travar o fluxo de informação que sai do país. Segundo o "Guardian Unlimited", o serviço de Internet na Birmânia foi abaixo várias vezes nas últimas 24 horas, os cibercafés fecharam e algumas linhas telefónicas fixas e móveis foram cortadas.
De acordo com o jornal britânico, na Birmânia só existem 25 mil contas de e-mail e nem um por cento da população tem acesso à Internet. A política de controlo de conteúdos online — mais rígida do que em países como a China ou o Vietname, segundo os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) —, serve-se da captura de ecrãs de cinco em cinco minutos para monitorizar as pesquisas dos utilizadores nos cibercafés.
"Estava a receber e-mails com três dias de atraso, mas parece que agora perdi mesmo a ligação", disse Vincent Brussels, responsável pela secção asiática dos RSF. "Os que ainda conseguem aceder à Internet dizem que a ligação está muito lenta e que é muito difícil enviar fotografias", avançou.
Apesar de a vigilância ter apertado ainda mais nos últimos dias, alguns blogues e jornalistas exilados têm encontrado formas de enviar informação.
"Temos recebido informações através de telemóveis, mas agora até estes foram cortados. Os nossos repórteres começaram a ir aos cibercafés, mas a velocidade estava muito lenta nas últimas horas. Algumas das linhas telefónicas fixas que utilizamos também foram desligadas, por isso não conseguimos entrar em contacto com o nosso pessoal", disse o responsável dos RSF.
Segundo o "Guardian Unlimited", os melhores pontos de acesso à Internet em Rangum são neste momento as embaixadas e as organizações não-governamentais.

