O líder da junta militar birmanesa, general Than Shwe, proibiu hoje o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de visitar a chefe da oposição, Aung San Suu Kyi.
"Estou profundamente desanimado. Lamento muito ter de comunicar que não é possível", disse Ban aos jornalistas, depois de o regime ter rejeitado o seu segundo e último pedido de ir à cadeia ver aquela que é o símbolo da luta pela democratização da Birmânia.
O julgamento de Suu Kyi sob a acusação de ter violado as condições da sua detenção domiciliária voltara ontem a ser adiado; e essa foi a desculpa dada por Than Shwe: não quereria interferir com um processo em curso na justiça.
A segunda reunião do secretário-geral da ONU com o líder da junta, nestes últimos dias, voltou a não resultar em quaisquer concessões imediatas.
O encontro de meia hora verificou-se na remota capital administrativa do país, Nay Pyi Taw, de onde Ban Ki-moon partiu depois para Rangun, preparado para deixar o território, onde a junta se encontra no poder desde que em 1988 esmagou um levantamento geral a favor da democratização.
A lei marcial foi decretada em 1989 e desde então Suu Kyi tem passado a maior parte do tempo detida, podendo agora ser condenada a cinco anos de cadeia se for considerada culpada de ter violado as regras da sua detenção domiciliária, ao receber em sua casa um norte-americano que nadou até lá, atravessando um lago.
A Liga Nacional para a Democracia, de Suu Kyi, ganhou as eleições de 1990, mas os resultados das mesmas foram ignorados pelos militares, tendo continuado tudo tal como estava.



