As autoridades birmanesas autorizaram hoje a entrada de um avião das Nações Unidas transportando ajuda humanitária e uma primeira equipa do Departamento de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), para ajudar as vítimas do ciclone Nargis, segundo fontes da OCHA.
“O avião deverá sair hoje de Brindisi (Itália) com 25 toneladas de material e algumas pessoas da OCHA”, explicou a porta-voz da organização, Elisabeth Byrs.
“Esperamos que este espírito de abertura se confirme”, comentou.
O aparelho, cujo local de aterragem ainda não era conhecido esta manhã, transporta pastilhas para purificar a água, geradores de electricidade, tendas, baldes, material de cozinha, cobertores e redes mosquiteiras, precisou Byrs.
As Nações Unidas poderão disponibilizar ainda o seu armazém no Dubai, acrescentou a porta-voz.
Hoje, um avião com medicamentos descolou de Singapura com destino a Rangum, Birmânia.
O ciclone, que atingiu a região durante o fim-de-semana, terá feito 22 mil mortos e 41 mil pessoas estão ainda desaparecidas. Segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha, este é já o ciclone mais mortífero a atingir o planeta desde 1991.
Mas a real avaliação dos prejuízos ainda é impossível de fazer. As poucas organizações não governamentais no terreno falam de milhões de sem-abrigo e descrevem cenas de corpos em decomposição nas zonas mais afectadas. Devido ao risco de propagação de doenças, as organizações acreditam que o número de mortos vai subir consideravelmente.
Milhões de pessoas continuam à espera da ajuda internacional, bloqueada nos portos do país por falta da concessão de vistos da Junta da Birmânia. Ontem, a Junta militar aceitou o princípio de uma ajuda internacional. A decisão é rara num dos países mais isolados do mundo e que recusou toda a assistência estrangeira depois do tsunami em 2004.


