Juízes e jurados começam a ouvir testemunho gravado da filha de Josef Fritzl

17.03.2009 - 09:16 Por Agências
Prosseguiu hoje em Sr Poelten, nos arredores de Viena, o julgamento de Josef Fritzl, o austríaco que durante 24 anos manteve a filha fechada numa cave, com três dos sete filhos nascidos das violações a que a sujeitou. A sessão de hoje, novamente à porta fechada, foi dedicada a ouvir o testemunho gravado de Elisabeth Fritzl. Os fotógrafos captaram pela primeira vez uma imagem do rosto de Josef Fritzl e o porta-voz do tribunal, Franz Cutka, anunciou que a sentença deverá ser anunciada na quinta-feira.
Os três juízes do colectivo, os advogados de defesa e acusação e os oito jurados deste processo chegaram à sala de audiências cerca das 08h00 (hora de Lisboa), sob forte protecção policial, a fim de evitar o assédio das centenas de jornalistas que seguem o caso no exterior do tribunal.
A gravação, com cerca de onze horas, continuará a ser visionada amanhã. Segundo a procuradoria austríaca, Elisabeth relata na gravação o “martírio inimaginável” a que foi sujeita pelo próprio pai, que se serviu dela “como de um brinquedo”. O testemunho da filha será o único a ser ouvido em tribunal, uma vez que tanto a mulher de Fritzl, como todos os filhos-netos recusaram testemunhar.
Questionado à entrada da sessão, o advogado de Fritzl, Rudolf Mayer, disse apenas que o seu cliente “já disse tudo o que tinha a dizer”, dando a entender que o réu não voltará a prestar declarações.
Ontem, após a leitura das 27 páginas da acusação, Fritzl admitiu ser culpado dos crimes de sequestro e incesto, mas rejeitou a acusação de homicídio que lhe é imputado pela morte, pouco depois do nascimento, de uma das sete crianças nascidas na cave da sua casa, na pacata cidade de Amstetten. O austríaco, de 73 anos, rejeitou também a acusação de escravatura, crime passível com uma pena de 10 a 20 anos de prisão.
Notícia actualizada às 18h30


