No mesmo dia que Ievgeni Zubov, o juiz que conduz o processo de homicídio da jornalista Anna Politkovskaia, decidiu reabrir as portas do tribunal ao público e autorizar a cobertura do julgamento pelos jornalistas, os procuradores requisitaram o seu afastamento do caso.
No início deste mês, Ievgeni Zubov afirmou que as sessões do julgamento seriam públicas, mas na semana passada contrariou essa decisão inicial, o que provocou fortes reacções de protesto por parte da família de Politkovskaia.
Hoje, os procuradores pediram o afastamento do magistrado. O juiz terá sido acusado de parcialidade e de não seguir os procedimentos adequados durante o processo. “Eles consideram que várias questões organizacionais estão a influenciar as opiniões do juiz”, afirmou Murat Musaiev, advogado de defesa. A decisão sobre este requerimento deverá ser conhecida amanhã.
Ainda hoje, naquele que foi um dia bastante atribulado no tribunal, o juiz anunciou que iria dispensar um dos jurados por ter quebrado a proibição de falar do caso em público.
Anna Politkovskaia, uma feroz crítica das políticas russas da Tchechénia, foi morta a tiro à porta de casa em Moscovo, há três anos. Desde logo surgiram suspeitas de que agentes secretos do Estado estariam envolvidos no homicídio, o que faz agora com que os apoiantes da jornalista temam que o julgamento não seja justo. No banco dos réus sentam-se um antigo agente dos serviços secretos, acusado de ter fornecido a morada da jornalista aos assassinos, dois tchetchenos que terão vigiado a vítima e um agente da polícia criminal.



