Jovem sobrevivente do massacre na Noruega escreve carta ao terrorista

01.08.2011 - 12:56 Por PÚBLICO
“Querido Anders Behring Breivik”. É assim que começa a carta, publicada esta segunda-feira pela AFP, escrita por um jovem sobrevivente do massacre na ilha de Utoya. “Não vamos responder ao mal com o mal, como gostarias. Vamos combater o mal com o bem. E venceremos”, diz a carta.
“Tu acreditas que venceste porque mataste os meus amigos e companheiros. Acreditas que destruíste o partido trabalhista e as pessoas que crêem numa sociedade multicultural”, escreveu Ivar Benjamin Oesteboe, 16 anos, o qual perdeu cinco amigos na carnificina. “Quero que saibas que falhaste”, frisou o jovem na sua carta publicada no Facebook e reproduzida pelo jornal norueguês Dagbladet.
“Descreveste-te como um herói, um cavaleiro. Não és um herói. Mas uma coisa é certa: criaste heróis. Em Utoya, nesse quente dia de Julho, conseguiste criar alguns dos maiores heróis que jamais existiram no mundo”, continuou o adolescente.
Na ilha de Utoya a 22 de Julho, Ivar Benjamin e alguns dos seus companheiros esconderam-se na margem do rio à espera que a polícia chegasse enquanto ouviam os disparos. Breivik, mascarado de polícia, enganou-os. “Chamamo-lo, agitando os braços. Estava a tentar acalmar os jovens que o rodeavam e de repente, impassível, deu a volta e começou a disparar contra todos”, explicou Benjamin ao Dagbladet.
O jovem conseguiu salvar-se quando a polícia chegou à ilha mais de uma hora e meia depois de o tiroteio ter começado. “Vou-te explicar como funcionou o teu plano. Conseguiste ser o homem mais odiado da Noruega. Muitos estão com raiva de ti; eu, não. Não tenho medo de ti. Não podes alcançar-nos, somos maiores que tu”, disse Ivar Benjamin no final da sua carta.
Em Utoya, 69 pessoas, sobretudo jovens, perderam a vida e outras oito morreram durante as explosões que ocorreram na capital do país, Oslo. Dezenas de pessoas ficaram feridas no duplo ataque. O terrorista justificou o massacre como uma guerra contra o Islão e a esquerda multiculturalista.


