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Reacção do primeiro-ministro português

José Sócrates diz-se "emocionado" com escolha de António Guterres para o ACNUR

24.05.2005 - 18:08

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Sócrates acredita que a escolha de Guterres é uma excelente notícia para a ONU Sócrates acredita que a escolha de Guterres é uma excelente notícia para a ONU (Paulo Carriço/Lusa (arquivo))
O primeiro-ministro afirmou esta tarde estar "emocionado" com a escolha de António Guterres para a liderança do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). José Sócrates disse que a nomeação é "uma vitória de Portugal".

Em declarações à Lusa, o primeiro-ministro disse estar "naturalmente satisfeito e até emocionado com a notícia da escolha de António Guterres" para o ACNUR.

Segundo José Sócrates, a escolha do antigo primeiro-ministro português e actual presidente da Internacional Socialista "é uma vitória diplomática de Portugal e é uma vitória de António Guterres".

"A escolha de António Guterres é também seguramente uma excelente notícia para o sistema das Nações Unidas, que vai ser reforçado com um novo dirigente dotado de elevada competência profissional, grande experiência governativa e de forte sentido de solidariedade e vocação humanitária", acrescentou ainda o primeiro-ministro.



Perfil de António Guterres

O antigo primeiro-ministro e actual presidente da Internacional Socialista foi hoje escolhido para alto comissário das Nações Unidas para os refugiados pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
António Manuel de Oliveira Guterres, 56 anos, nasceu a 30 de Abril de 1949 na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, tendo a sua infância sido dividida entre a capital e a terra natal da mãe, Donas, na Beira Baixa.
Aluno brilhante, em 1965, entra para o curso de Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, licenciando-se em 1971, com a classificação final de 19 valores.
Profundamente católico, envolve-se, nessa altura, nas discussões religiosas e sociais do "Grupo da Luz", que integrava, entre outros, Helena Roseta e Marcelo Rebelo de Sousa. Nesse grupo, conhece também o padre Vítor Melícias que, em 1972, celebra o seu casamento com Luísa Melo.
Nesse mesmo ano, pela mão de António Reis, filia-se no Partido Socialista (PS), abandona a carreira universitária e inicia uma longa carreira política.
Após o 25 de Abril de 1974, com Manuel Alegre, dinamiza a Federação Distrital do PS de Lisboa, cola cartazes e participa em comícios. A amizade com Salgado Zenha, então ministro das Finanças, conduziu-o depois à chefia do seu gabinete.
Mas o seu trabalho dentro do PS não abranda e, em 1979, apresenta no congresso socialista o documento por si elaborado: "Dez anos para mudar Portugal - Programa do PS para os anos 80".
Já nos anos 80, foi membro do Comissão de Integração Europeia (comissão negociadora da adesão de Portugal à Comunidade Europeia) e director de Desenvolvimento Estratégico do Investimento e Participação de Estado.
Em 1988, torna-se presidente do grupo parlamentar socialista e, um ano mais tarde, chega ao Conselho de Estado.
Quatro anos mais tarde, no congresso de Fevereiro de 1992, disputa a liderança do PS com Jorge Sampaio, ganhando as eleições ao agora Presidente da República, então "a braços" com uma pesada derrota nas legislativas de 1991.
Depois de assumir a liderança do PS, consegue cativar uma franja importante da sociedade civil, naquilo que ficou conhecido como os Estados Gerais da Nova Maioria e gerou uma forte expectativa no país.
Contudo, só em 1995 consegue a sua grande vitória eleitoral, pondo fim a dez anos de governação de Cavaco Silva (PSD) e chegando ao poder numa eleição em que teve como principal adversário Fernando Nogueira.
Começa aqui a sua caminhada de seis anos à frente do Governo, que irá terminar na noite de 16 de Dezembro de 2001, ao demitir-se após a derrota eleitoral do PS nas eleições autárquicas, uma decisão que justificou com a necessidade de evitar que o país, "num momento de crise internacional", caísse num "pântano político". "É meu dever, perante Portugal, evitar esse pântano político", afirmou na altura.
A sua saída do Governo coincidiu com o abandono da vida política nacional activa, mantendo-se apenas como presidente da Internacional Socialista, um cargo para o qual foi eleito em 1999, sucedendo ao francês Pierre Maurroy, e que exerce actualmente. Guterres conta-se também entre os membros fundadores do Conselho Português para os Refugiados.

Fonte: Lusa




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