O primeiro-ministro de Timor-Leste e candidato às presidenciais, José Ramos-Horta, lidera os resultados parciais das eleições de ontem no distrito de Díli quando estão contados 26 por cento dos votos na capital, avançou hoje o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) do país, Martinho Gusmão.
Os dados disponíveis às 11h00 locais (05h00 em Lisboa) indicavam que o actual primeiro-ministro recolheu 30 por cento dos votos apurados na capital, acrescentou Martinho Gusmão.
Porém, outros três candidatos obtiveram até ao momento resultados entre os 20 e os 30 por cento em Díli: Fernando "Lassama" de Araújo, Francisco Xavier do Amaral e Francisco Guterres "Lu Olo".
"A indicação que temos da contagem parcial é que José Ramos-Horta e Fernando 'Lassama' aparecem lado-a-lado em Baucau e também em Díli", adiantou o porta-voz da CNE em declarações à Lusa.
Os distritos de Díli e de Baucau têm 159.812 de um total de 522.933 eleitores apurados no recenseamento para as presidenciais.
"Usamos Díli e Baucau como parâmetro" para uma projecção da votação, explicou Martinho Gusmão.
Questionado pela Lusa sobre se está surpreendido com o bom resultado de Fernando "Lassama" de Araújo, o porta-voz da CNE respondeu que a campanha eleitoral já apontava nesse sentido. "Se seguir a campanha, vê que Ramos-Horta e 'Lassama' aumentaram constantemente o seu apoio", disse Martinho Gusmão.
"Por comparação, 'Lu Olo' estabilizou o seu apoio de distrito para distrito, porque trouxe os mesmos apoiantes de um lado para outro", notou o porta-voz da CNE.
ONU congratula-se com sucesso das eleições
Na primeira reacção às eleições de ontem, o chefe da missão das Nações Unidas no país, Atul Khare, congratulou-se com o êxito do escrutínio e pediu a todos os candidatos que aceitem os resultados. "Aceitar os resultados inclui aceitar a derrota", declarou Atul Khare logo após a conferência de imprensa da CNE. "A derrota é também uma oportunidade de constituir uma oposição forte", comentou.
O representante especial do secretário-geral da ONU acrescentou que "o verdadeiro desafio para a nação timorense começa agora". "O teste é a habilidade para um Governo forte e uma oposição com força providenciarem uma boa governação para todos", disse Atul Khare.
Finn Reske-Nielsen, o número dois da missão internacional, com a tutela dos assuntos humanitários e do apoio às eleições, declarou-se "impressionado" com o trabalho da CNE e do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral de Timor-Leste.
Sem números oficiais, os responsáveis da UNMIT afirmaram que as impressões recolhidas em várias estações de voto apontam para "uma afluência muito grande" às urnas.
Também a segurança mereceu o aplauso e a surpresa da UNMIT: "Pela primeira vez em 93 países onde trabalhei ou visitei, tive um relatório de polícia com zero crimes, zero vítimas e zero detenções", sublinhou Atul Khare.



