Um conhecido jornalista de etnia tâmil foi hoje condenado a 20 anos de prisão por um tribunal superior do Sri Lanka, que o acusou de “apoio ao terrorismo” e de “incitação ao ódio racial”.
J.S. Tissainayagam, jornalista do semanário do Sri Lanka “Sunday Times”, foi acusado de ter recebido dinheiro da guerrilha separatista – os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil, derrotados em Maio pelo Exército – para financiar um site dedicado à população tâmil. Foi ainda condenado por “causar desarmonia entre as comunidades”.
Os advogados do jornalista já anunciaram que vão recorrer da sentença e sublinham que ele sempre se declarou contrário ao recurso à luta armada para defender os direitos da minoria tâmil.
Tissainayagam, de 45 anos, foi detido em Março do ano passado e mantido cinco meses detido antes de ser acusado, apesar dos repetidos apelos à sua libertação por parte de organizações nacionais e internacionais de defesa da liberdade de imprensa.
É o primeiro jornalista a ser condenado ao abrigo da lei de prevenção do terrorismo, aprovada na década de 1980. Os críticos dizem que a legislação tem vindo a ser usada pelo Governo para silenciar os opositores, como é o caso de Tissainayagam que, num artigo escrito antes de ser detido, acusou o Exército de bombardear uma cidade sob controlo da guerrilha, sem acautelar os civis.
O julgamento de Tissainayagam foi seguido com atenção pelas organizações de defesa da liberdade de imprensa, que classificaram recentemente o Sri Lanka como um dos países mais perigosos para os jornalistas.
Na semana passada, os Jornalistas pela Democracia no Sri Lanka, um grupo exilado, divulgou na Internet um vídeo, com imagens de alegados soldados a executar civis desarmados. O Governo do Sri Lanka garantiu que o vídeo era falso e acusou o grupo de ser uma “frente” da guerrilha no estrangeiro.



