Jornalista francesa ferida na Síria pede para ser retirada rapidamente

23.02.2012 - 17:20 Por Isabel Gorjão Santos, com agências
Edith Bouvier, jornalista do diário francês Le Figaro que ficou ferida num ataque em Homs, na Síria, pediu nesta quinta-feira, através de um vídeo colocado no YouTube, para ser retirada para o Líbano “o mais depressa possível”.
“Sou Edith Bouvier, jornalista francesa em reportagem na Síria com um grupo de repórteres. É quinta-feira, cerca de 15 horas. Ficámos feridos num ataque em que morreram Marie Colvin e Rémi Ochlik”, começa por dizer a repórter do Le Figaro, referindo-se à jornalista norte-americana e ao repórter francês que nesta quarta-feira morreram num ataque a Homs. Depois, Bouvier deixa um pedido: ser retirada para o Líbano “o mais depressa possível” para ser operada.
A jornalista está deitada numa cama, tem a seu lado o fotógrafo francês William Daniels, que não está ferido, adianta a AFP. Conta que está ferida, que tem a perna partida no fémur e precisa de uma intervenção cirúrgica urgente. “Aqui os médicos têm-nos tratado bem, dentro das possibilidades, mas não têm condições para efectuar qualquer intervenção cirúrgica”.
A jornalista apela ainda à ajuda das autoridades francesas, diz que a situação no local onde se encontra é difícil, falta comida e electricidade “e as bombas continuam a cair”. Durante o vídeo de cerca de seis minutos ouvem-se dois estrondos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Alain Juppé, já pediu às autoridades de Damasco que organizem a evacuação. “Pedi já ontem”, garantiu nesta quinta-feira em Londres, onde está a participar numa conferência sobre a Somália. “Quero exprimir o meu vigoroso protesto sobre a situação dos jornalistas em Homs”, adiantou. “O que se passa na Síria e cada dia mais revoltante, mais vergonhoso e mais escandaloso”.
O vídeo de Edith Bouvier foi divulgado um dia após a morte da jornalista Marie Colvin, do Sunday Times, e do fotógrafo francês Rémi Ochlik, da agência IP3, que o Presidente francês Nicolas Sarkozy já qualificou de “assassínio”.
O regime sírio rejeitou qualquer responsabilidade na morte dos dois jornalistas ocidentais, estimando que eles entraram naquele território “à sua própria responsabilidade”. E adiantou, através dos Ministério do Negócios Estrangeiros: “Recusamos as declarações que atribuem à Síria a responsabilidade pela morte dos jornalistas que se infiltraram naquele território à sua própria responsabilidade”.
A violência na Síria causou hoje pelo menos mais 46 mortos, entre os quais 13 membros da mesma família, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
A ONU adiantou ter uma lista de responsáveis sírios suspeitos de terem cometido “crimes contra a humanidade” durante a repressão que já se prolonga há 11 meses e causou cerca de 7600 mortos.



