Um jornal marroquino, o “TelQuel”, foi apreendido por publicar uma sondagem sobre os níveis de popularidade do rei Mohammed VI, no trono há dez anos.
A França criticou a decisão através do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “Estamos surpreendidos com esta medida, que lamentamos”, disse aos jornalistas o porta-voz do ministério, Romain Nadal.
A apreensão e a destruição de todos os números da última edição do semanário "TelQuel" foi ordenada no sábado pelas autoridades marroquinas, e no site do jornal surge agora a indicação de que a edição foi censurada. É condenada “com força e energia” a destruição de 100 mil exemplares e é também referido que a publicação está à venda em França. Foi também censurada a versão em árabe da publicação, que tem como título "Nichane".
Em Marrocos existem sobretudo três questões que não podem ser postas em causa: monarquia, religião e integridade territorial, esta última muito por causa da situação nos territórios do Sara Ocidental onde a Frente Polisário luta há mais de 30 anos pela independência.
Sondagem era favorável
O "TelQuel" chegou a imprimir uma edição com uma sondagem sobre os dez anos de reinado de Mohammed VI, cumpridos na semana passada, e os resultados não eram desfavoráveis para o rei. Segundo o diário francês “Le Monde”, que publicou dados da sondagem, 91 por cento dos inquiridos aprova a acção do monarca. Mas as autoridades justificaram a destruição dos jornais por uma questão de princípio, porque a monarquia em Marrocos “não pode ser objecto de debate, nem por via de sondagem”, adiantou o ministro da Comunicação marroquino, Khalid Naciri, citado pela AFP.
A sondagem tinha sido realizada em Marrocos entre 27 de Junho e 11 de Julho pelo instituto LMS-CSA, filial marroquina do instituto de sondagens francês CSA. Foram inquiridos 1108 marroquinos com mais de 18 anos e concluiu-se que o aumento da pobreza é uma das principais preocupações, ainda que 37 por cento tenham respondido que a situação melhorou nos últimos dez anos. Outros 37 por cento consideraram que a situação se manteve e 24 por cento responderam que se agravou na última década.



