O alto representante da União Europeia para a Política Externa, Javier Solana, afirmou hoje que a rejeição do tratado constitucional europeu pelos eleitores franceses não vai paralisar a acção da comunidade.
"Temos que continuar. Para mim, o pior que poderia acontecer, em consequência deste ‘não’, seria os cidadãos ou os líderes da União Europeia entrarem numa zona de paralisia psicológica", declarou Solana, um dia depois de 55 por cento dos eleitores franceses terem votado contra a Constituição.
Solana, que deverá assumir a chefia da diplomacia europeia quando o tratado constitucional entrar em vigor, lamentou o resultado do referendo em França, mas afirma que "a vida continua". "A UE vai continuar a ser um actor importante" na comunidade internacional, continuando "empenhada em todos os campos onde tem estado empenhada", apostando na continuação do processo de construção europeia.
Rejeitando a onda de pessimismo lançada com a vitória do "não em França", o alto representante sublinhou que a UE "era já um actor importante [na cena mundial] ainda antes de se começar a falar da Constituição". "Vamos continuar a trabalhar com a mesma energia, 24 sobre 24 horas", garantiu.
Eurocépticos querem suspensão do processo de ratificação
Apesar da limitação de danos que está a ser feita pelos dirigentes europeus, vários opositores do tratado já vieram argumentar que o "não" francês – que poderá ser seguido pela rejeição holandesa do tratado no referendo agendado para depois de amanhã na Holanda – vai bloquear o processo de ratificação nos 25 Estados-membros.
"A Constituição morreu", afirmou o eurodeputado checo Jan Zahradil, eleito pelo Partido Cívico Democrático, na oposição em Praga. O Governo social-democrata checo pretendia referendar o novo tratado europeu no próximo ano, mas para tal precisa do acordo da oposição, que agora se mostra reticente em participar no processo.
"Os restantes tratados europeus permanecem válidos. Segundo eles, a Constituição Europeia é inválida e por isso consideramos desnecessário ratificá-la", afirmou o eurodeputado.
O entendimento da oposição é partilhado pelo Presidente checo, Vaclav Klaus, muito crítico da Constituição Europeia. "É inútil continuar a ratificação. Esta conclusão é óbvia e espero que todos entendam isso", afirmou Klaus, o único dirigente dos 25 que veio a público defender a suspensão do processo.


