A agência meteorológica japonesa pediu desculpa pelo excesso de prudência e por ter lançado um alerta de tsunami que levou à retirada de cerca de meio milhão de pessoas que vivem na costa do Pacífico para locais mais seguros.
Após o violento sismo que devastou o Chile, no sábado, os especialistas japoneses previram um maremoto com ondas de cerca de três metros de altura. No entanto, a vaga mais alta atingiu os 120 centímetros e não provocou danos para além de algumas inundações junto ao litoral.
“As previsões da agência meteorológica sobre a amplitude do tsunami foram excessivas. Peço que aceitem as nossas desculpas pelo alerta que durou muito tempo e pelos incómodos que causou”, disse em conferência de imprensa Yasuo Sekita, um dos responsáveis da agência japonesa. Poucas horas antes do sismo que afectou o Chile verificou-se outro tremor de terra junto à ilha japonesa de Okinawa que também levou a que fosse lançado o alerta de tsunami mas acabou por não causar vítimas nem estragos significativos.
Frequentemente afectado por sismos, tufões ou erupções vulcânicas, o Japão aprendeu a não deixar nada ao caso e reage por vezes de forma excessiva quando a segurança está em jogo. Assim, após o sismo no Chile, foi lançado um alerta “maior” de tsunami, o grau mais elevado, em três prefeituras do Japão, adiantou a AFP. O alerta foi então acompanhado de uma ordem de evacuação das regiões onde vivem cerca de 500 mil pessoas, que passaram a noite em escolas ou outros edifícios públicos.
Foram também fechadas as estradas e a linha de caminho-de-ferro ao longo da costa, por precaução, até que, na noite de domingo, quando muitos países do Pacífico já tinham retirado o alerta de tsunami, o Japão ainda não o tinha feito. Só pelas 10h15 de segunda-feira (1h15 em Lisboa) é que o alerta foi retirado.
“O alerta de tsunami afectou muitos aspectos da vida pública, mas o Governo pode dizer que tomou as medidas apropriadas face à ameaça potencial de um tsunami”, considerou em editorial o diário japonês Yomiuri Shimbun. Mas um alerta como este poderá ter outros efeitos, disse à AFP o professor de psicologia Hirotada Hirose. “Ao lançar um alerta excessivo de tsunami, as autoridades quiseram evitar críticas. Mas a dificuldade será, na próxima vez, convencer a população de que o alerta é sério e a região deve ser evacuada.”



