Japão: Liberal Hatoyama confirmado pelo Parlamento como primeiro-ministro

16.09.2009 - 08:58 Por Dulce Furtado, com agências
A câmara baixa do Parlamento japonês confirmou como primeiro-ministro o líder do Partido Democrata, Yukio Hatoyama, na esteira das eleições legislativas no país de há pouco mais de duas semanas. Com uma linha política por testar no Japão – que sucede a quase meio século de poder nas mãos dos conservadores do Partido Liberal Democrata – o novo Governo tem difíceis tarefas pela frente, sobretudo na reanimação da economia e na gestão das relações diplomáticas com o tradicional aliado norte-americano.
“Sinto-me excitado com a possibilidade de mudarmos a história e ao mesmo tempo sinto o peso da responsabilidade de fazer história”, afirmou Hatoyama, fazendo uma profunda vénia perante os deputados e envergando aquela que já descreveu como sendo a sua “gravata da sorte”, de riscas douradas, prateadas e azuis.
Antes, à chegada ao Parlamento, sublinhara que “é agora que a luta começa”, aludindo às muitas e exigentes tarefas que esperam o novo Governo do PDJ, a ser exercido num equilíbrio delicado de antigos liberais-democratas, ex-socialistas e até jovens conservadores.
O PDJ saiu das eleições de 30 de Agosto com o número de assentos suficientes para controlar a câmara baixa por si só – obteve 308 deputados numa câmara de 480 deputados – mas carece da boa vontade dos seus dois aliados, com os quais controla o Senado desde 2007, para não esbarrar em dificuldades para fazer passar as reformas sociais e económicas prometidas em campanha: os pequenos Partido Social-Democrata (antigos socialistas) e o Novo Partido do Povo (conservadores).
A escolha de Hatoyama de entregar a pasta das Finanças ao deputado veterano Hirohisa Fujii acalmou as apreensões dos mercados e de muitos analistas que temiam os efeitos do anunciado programa social do PDJ. As promessas feitas – políticas de abonos familiares e em outras áreas da segurança social e emprego – traduzem-se em despesas de peso, sendo temido um aumento significativo da já enorme divida pública do Japão que vive a maior recessão desde o final da II Guerra Mundial e se confronta como a existência de uma sociedade em progressivo envelhecimento.
Não menores são as expectativas quanto ao rumo diplomático que o Governo de Hatoyama tomará em relação aos Estados Unidos.
O PDJ abraça uma bem expressa política de maior independência em relação a Washington – há inclusive propostas para entravar a recolocação de marines na ilha de Okinawa – o que está a causar ansiedades do outro lado do Pacífico. Muita clarificação de posições é esperada para daqui a uma semana quando Hatoyama visitar o Presidente norte-americano, Barack Obama, na sua estreia diplomática como primeiro-ministro do Japão.
Formado nos Estados Unidos, Hatoyama deverá acalmar o nervosismo na Casa Branca – crêem os analistas –, mas não é de esperar um retrocesso sobre a intenção de renegociar os acordos referentes à presença militar norte-americana no Japão.

