Japão: autoridades sem notícias de 10 mil habitantes de localidade portuária

12.03.2011 - 13:25 Por Reuters, PÚBLICO
As autoridades da província de Miyagi (nordeste) dizem não ter notícias de quase 10 mil pessoas entre os habitantes locais da localidade portuária de Minamisanriku. O número de mortos e desaparecidos ainda não contabiliza estes dados, tendo sido revisto para 1800.
Os quase 10 mil desaparecidos de Minamisanriku representam bem mais de metade da população de 17 mil habitantes da localidade, refere a agência Kyodo. As autoridades só conseguiram confirmar a evacuação de cerca de 7.500 pessoas para 25 abrigos. As restantes estão por contactar.
A televisão NHK diz que o exército já foi chamado para ajudar as equipas locais nas operações de busca. Para já, não é possivel perceber qual o nível de destruição em Minamisanriku nem se as equipas de socorro já estão no terreno.
As imagens televisivas e informações da agência noticiosa estatal vindas das zonas mais afectadas pelo sismo, na costa a norte de Tóquio, mostravam a devastação causada pela onda gigante que se seguiu ao sismo. Pessoas enterradas sob os escombros gritavam por socorro. Num telhado de um hospital cercado por água, os funcionários tinham cartazes a dizer: “Comida” ou “AJUDA”.
O cenário do dia seguinte ao sismo: casas destruídas, ruas entre os edifícios cobertas com lixo, veículos revirados como se fossem brinquedos, pessoas nos terraços de prédios a pedirem ajuda.
O exército japonês declarou ontem ter retirado entre 300 a 400 corpos num do porto da cidade de Rikuzentakata, na província de Iwate, no Nordeste do Japão, que ficou submersa depois do tsunami de ontem.
Enquanto isso, uma explosão na central nuclear de Fukushima, a 250 quilómetros a norte de Tóquio, causou medos de um desastre nuclear. No entanto, responsáveis dizem que o nível de radiação após a explosão já começou a descer.
A comunidade internacional mobilizou-se entretanto para a ajuda, enviando equipas de socorro após o forte sismo e tsunami, que terão causado alterações, deslocando o eixo de rotação da Terra em 25 centímetros e fazendo movimentar-se a principal ilha do Japão 2,5 metros.
Sendai afundada em água
A cidade de Sendai, que fica 300 quilómetros a Nordeste de Tóquio e apenas a 130 quilómetros do epicentro do sismo, foi uma das mais afectadas pelo tsunami. “Sendai está agora completamente afundada em água”, disse à Reuters o motorista de limusina Yoshikatsu Takayabe, de 52 anos. “O que é que quero que o governo faça? Não consigo puxar o autoclismo. Quero água de volta a minha casa.”
O sismo de magnitude 8,9 na escala de Richter foi um dos mais graves de sempre e o mais forte registado no Japão. Cerca de 160 réplicas foram já contabilizadas depois do primeiro abalo, pelo menos uma dúzia com uma magnitude superior a 6,0.
Em Tóquio, o serviço no metro – o mais movimentado do mundo com 8 milhões de passageiros – foi muito reduzido, com inspecções a determinarem a segurança no sistema. Já os comboios tinham recomeçado a funcionar, e as pessoas começavam a regressar a casa depois de terem passado a noite com amigos, família ou nos abrigos designados na capital. Quanto a transportes aéreos, o tráfego estava ainda limitado, depois da suspensão de voos de ontem.
Em muitos locais, as pessoas correram para supermercados para se abastecerem. “As lojas estão todas fechadas, esta é uma das poucas abertas”, disse Kunio Iwatsuki, 68 anos, num supermercado danificado pelo sismo na cidade de Mito, à Reuters. “Por isso vim cá comprar fraldas, água e comida.”

