Itália vai às urnas referendar lei sobre fecundação assistida e investigação com embriões

12.06.2005 - 08:53 Por AFP
As assembleias de voto abriram hoje às 08h00 (07h00 em Lisboa) em Itália, onde cerca de 50 milhões de eleitores são chamados a exprimir-se sobre a revogação parcial da restritiva "lei 40" sobre fecundação assistida.
Os italianos podem votar até amanhã em mais de 60 mil mesas de voto para responderem sim ou não a quatro perguntas, a primeira das quais é a de ser ou não necessária a investigação na saúde sobre as características dos embriões.
As outras questões colocadas aos italianos são avaliar se a equivalência de direitos entre o embrião e o ser humano deve ser mantida ou suprimida, se os casais têm o direito de recorrer a um doador externo para tentar ter uma criança, e, por último, se deve ser suprimida a obrigação de produzir um máximo de três embriões numa tentativa de fecundação.
Um dos pontos mais contestados desta lei é a obrigatoriedade da implantação de um embrião sem diagnóstico pré-implantação que permita detectar eventuais doenças graves e evitar o eventual nascimento de crianças com deficiências.
A Igreja católica, que considera a "lei 40" sobre a bioética e a fecundação assistida votada no início de 2004 um mal menor, defende a abstenção, preferindo que o texto se mantenha em vigor.
O presidente da Conferência episcopal italiana, o cardeal Camillo Ruini, apelou por diversas vezes à abstenção apoiado pelo Papa Bento XVI, que defendeu "a intangibilidade da vida humana, desde a sua concepção ao seu fim natural". Todavia, alguns padres defenderam pontos de vista divergentes.
A votação feminina anuncia-se como determinante nesta batalha. A campanha foi animada por mulheres como Stefania Prestigiacomo, ministra para a Igualdade de Oportunidades, que considera que a lei não protege suficientemente a saúde da mulher.
Um dos pontos mais contestados desta "lei 40" é a implantação de um embrião sem diagnóstico pré-implantação que permita detectar eventuais doenças graves que levem a mulher a abortar.
Os primeiros números de previsão da taxa de participação são esperados às 12h00 locais (11h00 em Lisboa).


