Soldados israelitas usaram um rapaz palestiniano de onze anos como escudo humano durante a guerra com o Hamas na Faixa de Gaza, num clara violação da lei internacional, disseram ontem peritos da ONU.
Os soldados israelitas ordenaram ao rapaz que fosse à frente das tropas, que estavam a ser atacadas, num bairro da Cidade de Gaza, e entrar ainda em edifícios antes deles, numa altura de operações militares “intensas”. O rapaz também recebeu ordens para abrir sacos de outros palestinianos, antes de ser deixado à entrada de um hospital, segundo a enviada da ONU para a protecção dos direitos das crianças, Radhika Coomaraswamy. Trata-se, acrescentou a responsável, de uma clara violação da lei israelita e internacional.
A afirmação segue-se ao questionar do investigador de direitos humanos da ONU, Richard Falk, sobre a legalidade da acção israelita em Gaza. Uma questão central para avaliar sobre esta legalidade seria se as forças conseguiam distinguir entre alvos civis e militares. “Se não era possível fazê-lo, então lançar os ataques foi inerentemente ilegal, e pareceria um crime de guerra da maior magnitude em termos da legislação internacional”, disse Falk. O responsável da ONU foi muito crítico da operação israelita e por isso acusado por Israel de ser parcial.
Antes ainda tinha sido uma organização israelita, os Médicos pelos Direitos Humanos, a denunciar a violação da ética médica – e da lei internacional – pelos militares israelitas em Gaza por atingirem pessoal médico e por impedirem assistência aos feridos nos combates.
A organização fala no bloqueio de civis em zonas de combates, civis que ficaram, por vezes feridos, sem comida e água “por períodos consideráveis”.
A ofensiva do Exército israelita deixou mortos 16 socorristas palestinianos, e 25 outros ficaram feridos. Os militares israelitas atacaram ainda 34 estabelecimentos médicos, entre os quais oito hospitais e 26 centros de cuidados primários, sublinhou a AFP.


