Israel tem prontos planos para um ataque aéreo e terrestre contra as instalações nucleares iranianas, caso fracassem os esforços diplomáticos para convencer o regime de Teerão a renunciar ao enriquecimento de urânio, noticia a edição de hoje do “Sunday Times”.
Segundo o jornal, o gabinete de segurança israelita deu já “a autorização inicial” para o lançamento desta operação, durante uma reunião secreta realizada em Fevereiro na residência do primeiro-ministro, Ariel Sharon, no deserto do Negev.
“As forças armadas israelitas construíram uma maquete da central iraniana de Natanz, [ numa região desértica junto ao Golfo Pérsico] para prepararem a sua destruição”, escreve o jornal londrino.
A mesma fonte adianta que a operação deverá envolver, no solo, o comando de elite Shaldag e, no ar, os aviões F-15 do 69º esquadrão da Força Aérea israelita, equipados com bombas capazes de penetrar muros de um “bunker”.
A edição dominical do “The Times” garante que Washington está a par dos planos israelitas e adianta que a Administração norte-americana não se opõe ao lançamento da acção caso falhem as negociações destinadas a convencer o Irão a desistir do enriquecimento de urânio – uma operação susceptível de produzir material para o fabrico de bombas nucleares.
Reagindo a esta notícia, a chefe da diplomacia norte-americana negou que os EUA tenham dado autorização para um eventual ataque ao Irão e reafirmou que Washington continua a apostar na diplomacia para resolver esta questão. “A Administração norte-americana não vai autorizar seja o que seja, já que temos uma via diplomática a seguir”, declarou Condoleezza Rice, em entrevista à televisão ABC.
Rice recordou que os EUA e a Europa “têm agora uma posição diplomática mais forte” sobre esta questão. Na sexta-feira passada, Washington a anunciou que vai contribuir para o pacote de ajudas económicas oferecidas pela Europa ao regime iraniano em troca da suspensão das actividades nucleares.
Em troca da abertura norte-americana, os países europeus aceitam as exigências norte-americanas, comprometendo-se a enviar o “dossier” iraniano às Nações Unidas, com vista à aplicação de sanções internacionais, caso Teerão não cumpra as suas obrigações.
Contudo, o regime iraniano anunciou ontem que o país não vai alterar o seu programa nuclear devido ao incentivos ou às ameaças internacionais.



