Israel rejeitou hoje qualquer trégua com os islamistas do Hamas na Faixa de Gaza antes de pararem os disparos palestinianos de morteiros para o seu território e disse que os ataques aéreos desencadeados desde sábado anunciam “longas semanas de acção militar”.
As forças terrestres de Israel cercaram a fronteira deste enclave costeiro palestiniano, com vista a uma possível invasão, enquanto os aviões de guerra israelitas pressionavam a situação pelo quarto dia consecutivo, com ataques a alvos do Hamas (o movimento que conseguiu o controlo deste território há ano e meio, após confrontos com o rival Fatah) que mataram mais 12 palestinianos, entre os quais duas irmãs de 10 e 12 anos.
Fontes médicas citadas pela Reuters estimam as baixas palestinianas desde o início dos ataques no sábado em 348 mortos e mais de 800 feridos, mas a AFP fala já em 360 mortes.
Uma agência da ONU disse que morreram pelo menos 62 civis palestinianos. Também morreram três civis israelitas e um soldado devido aos ataques de morteiro palestinianos, disparados para Israel a partir de Gaza, desde o início dos bombardeamentos israelitas.
“Israel não tem interesse neste estádio num cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza”, disse o ministro das Infra-estruturas de Israel, Ben Eliezer, citado pela AFP. “Um cessar-fogo permitiria ao Hamas ganhar forças, reganhar o ânimo e preparar um ataque mais forte contra Israel”, disse o mesmo responsável, que faz parte do gabinete de segurança israelita.
A comunicação social israelita cita o primeiro-ministro Ehud Olmert como tendo dito ao Presidente Shimon Peres que a operação em Gaza estava “no primeiro de vários estádios”.
A seis semanas de eleições legislativas que as sondagens sugerem que serão ganhas pelo partido Likud, de direita, o Governo centrista de Israel diz que os ataques visam pôr fim aos ataques do Hamas com morteiros.
As Nações Unidas pediram uma trégua imediata, mas o ministro do Interior de Israel diz que “não há espaço para um cessar-fogo” com o Hamas até que seja eliminada a ameaça que constitui o lançamento de morteiros.
Um porta-voz do Hamas exortou os grupos palestinianos a responderem utilizando “todos os meios ao seu dispor” contra Israel, incluindo “operações de martírio”, o que significa bombardeamentos suicidas.
O Hamas tomou o controlo da Faixa de Gaza à Fatah (o movimento do Presidente palestiniano Mahmoud Abbas) pela força em Junho de 2007. Tem rejeitado apelos internacionais para reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar a existência de acordos de paz interinos.


