Israel reagiu com firmeza contra o Governo britânico após as notícias de que um juiz tinha emitido um mandado de captura contra a actual líder da oposição, Tzipi Livni, por alegados crimes durante a ofensiva em Gaza do ano passado, quando era ministra dos Negócios Estrangeiros.
Israel chamou o embaixador britânico ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Jerusalém para lhe dizer que os responsáveis israelitas não vão voltar a viajar para o Reino Unido até que o Governo limite a possibilidade de os tribunais emitirem mandados de captura contra dignitários estrangeiros ao abrigo da chamada "jurisdição universal".
O MNE disse que esta situação compromete o papel de mediador do Reino Unido no Médio Oriente. E avisou: se não houver "uma acção decisiva e imediata" do executivo, as relações entre bilaterais serão prejudicadas.Horas depois, David Miliband, chefe da diplomacia britânica, disse estar a estudar formas de "evitar casos semelhantes no futuro".
Esta é a primeira vez que um magistrado britânico emite um mandado de captura contra um antigo ministro israelita, embora outros altos responsáveis, como o antigo chefe do Exército Moshe Yalon ou o ex-responsável dos serviços secretos Avi Dichter, já tenham cancelado viagens por medo de acusações. Em 2005, um general reformado regressou a Israel sem sair do avião em Londres depois de ter sido avisado de que existia um mandado contra si, lembrou o Guardian. E um juiz recusou recentemente acusar o ministro da defesa, Ehud Barak, que tem imunidade diplomática.
O embaixador britânico em Israel já tinha dito a um grupo de israelitas preocupados com o aumento de hostilidade contra Israel que o Governo londrino não apoia estas acções judiciais, mas que elas são legais, recordou a Reuters. Londres considerava cortar o poder dos tribunais, disse ainda o embaixador - mas acrescentou que a ofensiva israelita em Gaza tinha tornado a tarefa de legislar sobre o assunto mais complicada.
O mandado contra Livni baseava-se no seu papel nessa operação militar que matou cerca de 1400 palestinianos e 13 israelitas.


