Israel: Netanyahu pode oferecer Finanças a Lieberman e Negócios Estrangeiros a Livni 
12.02.2009 - 10:48 Por Maria João Guimarães
Os políticos israelitas estão num frenesim de ofertas e ponderações enquanto decorrem as negociações antes de os partidos serem ouvidos pelo Presidente, Shimon Peres, sobre quem acham que deverá ser convidado a formar Governo. As notícias davam conta da oferta da pasta das Finanças por Benjamin Netanyahu ao ultranacionalista Avigdor Lieberman.
No sistema eleitoral israelita, não é necessariamente o partido mais votado que ganha a chefia do governo. Como o sistema depende da formação de coligações, cabe ao Presidente designar quem terá mais possibilidades de conseguir uma coligação estável.
Nestas eleições, com o Kadima (centro) e o Likud (direita) quase empatados (com 99 por cento dos votos contados tinham um deputado de diferença), é o partido com menos votos que parece estar mais apto a conseguir uma coligação.
Um partido essencial nestas negociações é o Yisrael Beiteinu (Israel nossa casa), do russófono Avigdor Lieberman. Este admitiu hoje que já decidiu qual será a sua recomendação ao Presidente, Shimon Peres, embora sem a divulgar.
Segundo o diário israelita “Ha’aretz”, Netanyahu oferecerá a pasta das Finanças a Lieberman para o incentivar a participar num governo seu, e deverá ainda tentar juntar a rival Tzipi Livni propondo-lhe continuar à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Netanyahu disse ao "Ha’aretz" que quer ter um governo com rivais políticos “a bem da unidade nacional”. “Planeio criar uma grande coligação e direi aos partidos: ‘se estão preocupados com o interesse nacional, ponham de lado as vossas diferenças políticas e juntem-se a um governo liderado por mim”, declarou.
Kadima não quer ser a voz moderada num Governo de direita
As hipóteses de Livni formar o seu próprio governo pareciam cada vez menores. A líder centrista tentou convencer Lieberman a não recomendar outro partido que não o Kadima oferecendo-lhe apoio na mudança de lei para permitir casamento civil a casais que não possam juntar-se num casamento religioso judaico, e em alterações no sistema de governação – Netanyahu não poderia mexer nestas questões porque depende do apoio dos deputados de partidos religiosos.
Apesar de responsáveis do Kadima admitirem que ganharam a batalha mas perderam a guerra, Livni diz que tentará ainda assim formar um governo. Se falhar – o que é o mais provável – irá decidir se passa à oposição ou entra no Governo.
O “Ha’aretz” descreve um complexo jogo de cálculos: enquanto Livni não desistir de tentar formar um governo, Netanyahu terá de cortejar mais os seus parceiros naturais de coligação, da direita religiosa. Mas se este recusar demasiadas concessões a estes partidos e a sua coligação for pequena, Livni não quererá juntar-se a ela. Por outro lado, quanto mais concessões forem feitas por Netanyahu aos partidos religiosos, menos provável é que o Kadima entre na coligação.
“Só nos juntaremos a um Governo Netanyahu se este não for de extrema-direita”, declarou o ministro do Interior, Meir Sheerit, do Kadima, ao diário israelita anglófono “Jerusalem Post”, garantindo que o partido preferirá ficar na oposição do que juntar-se a uma coligação deste género “apenas para ser a sua voz moderada”.
Ainda ontem Netanyahu teve um pequeno revés com a União Nacional (que seria um dos parceiros naturais) a rejeitar apoiá-lo – embora possa fazê-lo mais tarde.
Enquanto as negociações vão sendo feitas, há ainda 4 a 5 deputados por definir da contagem dos votos enviados por correspondência – de soldados, marinheiros, prisioneiros, pessoas com incapacidades e trabalhadores do Governo no estrangeiro.
Analistas falam ainda da possibilidade de estes votos, na maioria de militares, irem para a direita e poderem mesmo anular a vantagem de um deputado que o Kadima tem na actual contagem.
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