Israel mobiliza milhares de reservistas na iminência de uma ofensiva terrestre contra Gaza

28.12.2008 - 11:24 Por PÚBLICO, Agências
Israel decidiu mobilizar milhares de reservistas, anunciou um alto responsável do governo hebreu, na iminência de uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, ontem atacada pela força aérea israelita e que causou pelo menos 282 mortos e mais de 600 feridos. Entretanto, a aviação continuou hoje a atacar diversos alvos políticos e militares do Hamas e as tropas começaram a ser enviadas para a fronteira com Gaza.
“O Executivo aprovou a mobilização de milhares de reservistas. A mobilização engloba unidades de combate e unidades da defesa passiva”, indicou o governante, após a reunião semanal do governo.
O ministro israelita da Defesa, Ehud Barak, citado pelo seu porta-voz, afirmou hoje que “é possível” a realização de uma operação terrestre contra o Hamas.
“Estamos disponíveis para qualquer eventualidade. Se for necessário enviar tropas para defender os nossos cidadãos, iremos fazê-lo”, declarou Barak, citado pelo seu porta-voz.
“O Exército israelita alargará e aprofundará as suas operações em Gaza sempre que necessário”, tinha já declarado Barak à imprensa, hoje cedo, antes da reunião semanal do governo israelita, em Jerusalém.
“Devemos ter noção que não será [uma operação] de curta duração e que não será fácil, mas é preciso mostrar determinação”, acrescentou.
O primeiro-ministro demissionário, Ehud Olmert, afirmou por seu lado, na abertura da reunião governamental, que o objectivo da operação lançada em Gaza era “permitir aos cidadãos do sul de Israel terem uma vida normal, após anos de incessantes ataques com ‘rockets’”.
Entretanto, ao passo que a aviação israelita continuou hoje a atacar diversos alvos políticos e militares do Hamas, o Exército começou a concentrar numerosos tanques e tropas na fronteira com Gaza.
A ameaça de uma operação terrestre é evidente e mais palpável que nunca. As duas unidades de combate mais importantes de Israel estão preparadas para a ordem de entrar em Gaza.
Mais de 280 mortos
De acordo com o mais recente balanço médico palestiniano, os ataques aéreos israelitas de ontem já fizeram pelo menos 282 mortos, maioritariamente agentes do Hamas, e mais de 600 feridos. Desde o dia da ocupação israelita da Faixa de Gaza, em 1967, que não se registavam tantas vítimas mortais num único dia, indicam os analistas. Os habitantes de Gaza preparam-se hoje para começar a enterrar os seus mortos.
Quartéis e esquadras da polícia, campos de treino, edifícios onde funcionavam serviços do Hamas e rampas de lançamento de “rockets” foram os alvos preferenciais dos cerca de cem mísseis e bombas lançados pelos aviões e helicópteros de combate israelita.
O Hamas, que controla há ano e meio a Faixa de Gaza, apelou ontem – pela voz do seu líder do exílio, Khaled Meshaal – aos palestinianos para iniciarem uma terceira Intifada contra Israel, em retaliação pelos bombardeamentos.
Uma trégua de seis meses acordada entre o Hamas e Israel, com o patrocínio do Egipto, expirou no passado dia 19, e o movimento que controla a Faixa de Gaza anunciou que ela não seria prolongada, tendo em conta a continuação do bloqueio israelita ao território. Desde então, voltaram a ser disparados "rockets" contra o Sul de Israel, que ontem retaliou em força, atacando dezenas de alvos islamistas.
* Notícia actualizada às 12h40

