Israel: ministro da Defesa pede ao primeiro-ministro que se demita

28.05.2008 - 12:36 Por AFP, PÚBLICO
O chefe do Partido Trabalhista e ministro israelita da Defesa Ehud Barak apelou hoje ao primeiro-ministro, Ehud Olmert, envolvido num escândalo de corrupção, que abandone as suas funções "a bem dos interesses do Estado".
"A bem dos interesses do Estado (...), penso que o primeiro-ministro deverá terminar de se ocupar da gestão quotidiana do governo", declarou Barak durante uma conferência de imprensa em Jerusalém,
O ministro exprimiu-se desta maneira depois de ontem ter testemunhado perante a justiça israelita um homem de negócios israelo-americano, Morris Talansky, que afirmou diante do tribunal ter dado 150 mil dólares em dinheiro a Olmert, que dirige o partido centrista Kadima.
"O partido Kadima deverá fazer um exame de consciência e escolher um substituto" para o cargo de primeiro-ministro, disse Barak. "Se o Kadima não colocar em marcha um governo que nos convenha, nós fixaremos uma data para as eleições antecipadas", acrescentou.
Para Ehud Barak, em vista da "situação actual e dos pesados fardos com que se confronta Israel - Hamas, Hezbollah, Síria, Irão, soldados raptados e o processo de paz -, o primeiro-ministro não poderá simultaneamente assegurar a gestão do governo e ocupar-se dos seus assuntos pessoais".
O empresário americano Morris Talansky declarou ontem num tribunal de Jerusalém ter entregue perto de 150 mil dólares, "em dinheiro líquido", ao primeiro-ministro Ehud Olmert. Os pagamentos terão ocorrido entre 1991 e 1992, quando Olmert estava em campanha pela presidência de Jerusalém, e 2005, quando era ministro. Negou ter tirado qualquer benefício, "nada pedindo em troca". Segundo o Ha"aretz on-line, apenas teria reconhecido que Olmert o tentou ajudar num negócio, apresentando-o a bilionários americanos.
O primeiro-ministro está a ser investigado por suspeita de fraude, abuso de confiança, ilícito fiscal e violação da Lei dos Donativos. Em anterior interrogatório, reconheceu ter recebido fundos para despesas eleitorais, anunciando que se demitirá se for acusado de corrupção.
Talansky, de 75 anos, testemunha- -chave no caso, declarou também ter emprestado 30 mil dólares a Olmert para uma viagem de férias de família em Itália, em 2004, sublinhando que ele gosta de "charutos, canetas e relógios caros (...) da boa vida e hotéis de luxo". Olmert nunca reembolsou este empréstimo, nem outros destinados a despesas pessoais, disse.
Os donativos foram entregues em Israel e nos EUA, a Olmert ou à sua antiga chefe de gabinete, Shula Zaken. "Entreguei as somas em cash, (...) ele disse-me que preferia dinheiro líquido, (...) não queria cheques", testemunhou o empresário, judeu americano muito activo nas recolhas de fundos para Israel.

