Israel diz estar pronto a agir para eliminar ameaça iraniana

10.07.2008 - 18:36 Por PÚBLICO, Agências
O regime iraniano testou, pelo terceiro dia consecutivo, mísseis ofensivos no Golfo Pérsico, numa manifestação de força que levou os EUA a avisar que agirá para defender os seus interesses e aliados na região. O Governo israelita, cujo território estará ao alcance dos novos mísseis iranianos, avisou que está “pronto a agir” caso a sua segurança seja posta em causa.
Segundo a televisão iraniana, nas manobras de hoje “os acontecimentos mais importantes foram o disparo de mísseis terra-mar e terra-terra, bem como mísseis mar-terra”, lê-se no site da televisão iraniana.
A mesma fonte adianta que, durante o dia, foram lançados torpedos Hut (“Baleia” em língua farsi), testados em 2006, descritos por Teerão como uma “arma extremamente rápida e capaz de atingir submarinos. Ainda durante as manobras, os Guardas da Revolução, a força de elite do Exército iraniano, realizaram disparos nocturnos de médio e longo alcance, acrescenta a televisão iraniana, que divulgou imagens gravadas durante os ensaios.
O Irão anunciou ontem ter testado nove mísseis de médio e longo alcance, incluindo o Shahab-3, um projéctil que, segundo Teerão, tem um alcance de dois mil quilómetros, ou seja, com capacidade para atingir território israelita e várias bases militares americanas no Médio Oriente.
Apesar de o míssil de longo alcance ter já sido testado (o primeiro ensaio decorreu em 2006), os novos disparos foram vistos como uma demonstração do poderia militar dos Guardas da Revolução, numa altura em que o Ocidente lançou uma nova iniciativa diplomática para convencer Teerão a abdicar do seu programa nuclear. Estes esforços são vistos com cepticismo por Israel, descontente com a incapacidade das potências mundiais para impedir a República Islâmica de adquirir os conhecimentos técnicos para se dotar de armas nucleares, o que levou vários responsáveis israelitas a admitir um ataque preventivo contra o país vizinho. Na resposta, um dirigente iraniano avisou que, no caso de ser atacado, o Irão “lançaria fogo a Telavive e à esquadra americana no Golfo”.
EUA e Israel avisam Teerão
Preocupada com a tensão crescente na região, a secretária de Estado norte-americana avisou hoje que os EUA não hesitarão na defesa “dos seus interesses e dos interesses dos seus aliados”. “Levamos muito a sério as nossas obrigações de defender os nossos aliados e temos intenção de o fazer”, declarou Condoleezza Rice, aos jornalistas que a acompanham numa viagem pela Europa de Leste.
Já esta tarde, e sem fazer referências às manobras militares em curso, o ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, garantiu que Israel apoia as iniciativas diplomáticas para convencer o Irão a abdicar do enriquecimento de urânio – fase sensível do ciclo de nuclear, que pode ser usada para desenvolver ogivas nucleares –, mas avisa que o país “não tem medo de agir”.
“Actualmente, o foco está nas sanções internacionais e numa actividade diplomática vigorosa e achamos que essa via deve ser esgotada”, afirmou, para, logo de seguida, acrescentar: “Israel é o país mais forte da região e já provou no passado que não tem medo de passar à acção quando estão em causa os interesses vitais de segurança”.
Guardas da Revolução manipulam fotografia
Entretanto, descobriu-se hoje que uma das fotografias divulgadas pelos Guardas da Revolução para ilustrar o ensaio realizado ontem, foi manipulada.
A imagem publicada no site da Sepah News, o “braço informativo” da força de elite iraniana, mostra o disparo de quatro mísseis, tendo sido redistribuída por várias agências, incluindo a francesa AFP.
Contudo, a fotografia gerou dúvidas a vários fotógrafos que detectaram sinais de manipulação na parte central da imagem. O mistério foi desfeito quando o jornal iraniano “Jamejam” publicou na sua edição online uma foto idêntica mas onde são visíveis apenas três disparos, enquanto um quarto míssil permanece no lançador, facilmente identificável no centro da imagem.


