Israel desbloqueia verbas dos impostos para a Autoridade Palestiniana

30.11.2011 - 18:06 Por Isabel Gorjão Santos, com agências
As autoridades israelitas anunciaram nesta quarta-feira que irão desbloquear e transferir para a Autoridade Palestiniana milhões de dólares relativos a impostos que estavam congelados há mais de um mês.
A decisão foi anunciada após uma forte pressão internacional para que o dinheiro dos impostos fosse entregue aos palestinianos. A transferência de verbas tinha sido congelada a 1 de Novembro, depois de a Palestina ter sido reconhecida como membro da UNESCO, a agência das Nações Unidas para a ciência, educação e cultura.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, “aprovou a retomada da transferência de impostos, por enquanto, para a Autoridade Palestiniana”, anunciou o gabinete do chefe do Governo de Israel em comunicado. “Esta decisão foi tomada durante uma reunião de oito ministros, depois de a Autoridade Palestiniana ter parado com as suas medidas unilaterais.”
As medidas a que o comunicado se refere são as iniciativas levadas a cabo pela Autoridade Palestiniana para obter a adesão da Palestina como membro de pleno direito da ONU, o que conta com uma forte oposição por parte de Israel. “Se a Autoridade Palestiniana recomeçar com as suas medidas unilaterais, então a transferência de fundos será reavaliada”, adiantaram as autoridades israelitas.
A adesão à UNESCO fez parte da campanha da Palestina para vir a integrar a ONU, mas os esforços diplomáticos palestinianos contam com vários entraves. Os Estados Unidos já anunciaram que irão vetar um pedido de adesão da Palestina apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O bloqueio de transferência de verbas anunciado no início de Novembro por Israel foi alvo de várias críticas e hoje o enviado especial do Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) para o Médio Oriente, o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, saudou o anúncio do Governo de Netanyahu. “O dinheiro dos palestinianos é vital para a Autoridade Palestiniana e deve ser disponibilizado regularmente, como previsto nos acordos israelo-palestinianos."
No âmbito desses acordos, todos os meses as autoridades israelitas devem transferir para a Autoridade Palestiniana cerca de 100 milhões de dólares provenientes de impostos cobrados por Israel, nomeadamente taxas aduaneiras, e esse dinheiro é fundamental para pagar os salários dos cerca de 150.000 funcionários do governo palestiniano que controla a Cisjordânia.
Na reunião dos oito principais ministros israelitas onde foi tomada a decisão de desbloquear o dinheiro apenas um, o ultranacionalista Avigdor Lieberman, responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros, se opôs à libertação dos fundos.
Islândia reconhece a Palestina
Pouco antes de ter sido anunciada a decisão dos ministros israelitas, a Parlamento islandês votou favoravelmente o reconhecimento de um Estado palestiniano com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em 63 deputados, 38 votaram a favor e ninguém se opôs. Houve 13 deputados que se abstiveram e 12 estiveram ausentes na votação.
O Parlamento islandês “autoriza o Governo a reconhecer a Palestina como Estado independente e soberano”, lê-se na resolução votada pelo Parlamento. É ainda feito um apelo a Israel e à Palestina para que “procurem a reconciliação com um tratado de paz fundado nos direitos nacionais e nas resoluções das Nações Unidas, o que implica o reconhecimento mútuo do Estado de Israel e do Estado da Palestina".


