Relatório de 46 páginas apresentado às Nações Unidas

Israel abriu processos contra oficiais pelo uso de fósforo branco em Gaza

01.02.2010 - 09:57 Por Dulce Furtado, com agências

  • Votar 
  •  | 
  •  4 votos 
Israel revela ali que foram abertos inquéritos a 150 incidentes Israel revela ali que foram abertos inquéritos a 150 incidentes (Reuters)
O exército israelita abriu processos disciplinares contra dois oficiais de topo – um brigadeiro-general e um coronel – por terem posto em risco vidas humanas ao darem ordem de disparo de munições de fósforo branco.

Os alvos incluíram um edifício das Nações Unidas, durante a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza no Inverno passado.

Os media israelitas identificavam esta manhã os visados nos processos como sendo o comandante da divisão das Forças Armadas Israelitas (IDF) que operava em Gaza, Eyal Eisenberg, assim como o chefe de um dos regimentos de infantaria, Ilan Malka. As IDF não precisavam a identidade dos visados, avançando tão só que ambos eram acusados de terem “ultrapassado as suas prerrogativas pondo em risco vidas [de civis]”.

“Várias cargas de artilharia foram disparadas em violação das normas de conduta em guerra que proíbem o uso desse tipo de munições [de fósforo branco] em áreas de elevada densidade populacional”, é afirmado no relatório, numa admissão de algumas das acusações antes apontadas por várias organizações humanitárias. O fósforo branco, usado normalmente para criar zonas de fumo, é permitido em terreno aberto, mas expressamente proibido pelas convenções internacionais em áreas com construções e onde se podem encontrar civis.

Não foi indicado também se foram ou não aplicadas quaisquer sanções aos dois oficiais, mas regra geral os militares visados neste tipo de processos mais não arriscam do que uma repreensão verbal por parte dos seus superiores.

A existência destes processos foi comunicada num relatório apresentado no fim-de-semana pelo Governo de Telavive às Nações Unidas, na esteira das conclusões avançadas em Setembro passado pela chamada Comissão Goldtsone. Israel tenta ali, porém, refutar as mais graves acusações feitas no inquérito dirigido pelo juiz sul-africano Richard Goldstone.

Acusadas de bombardearem zonas densamente populadas com munições de fósforo branco, as IDF tem defendido que esta táctica foi sempre usada “de acordo com as leis humanitárias internacionais”.

O incidente ali relatado deu-se a 15 de Janeiro de 2009, dias antes do fim da Operação “Cast Lead”, num raide de artilharia contra o bairro de Tel al-Hawa, na zona sul de Gaza, que atingiu também gabinetes da Agência de Assistência Humanitária da ONU aos refugiados palestinianos (UNRWA) no terreno.

No documento apresentado à ONU – um relatório de 46 páginas – o Governo israelita põe ênfase, de resto, na auto congratulação pela “independência e imparcialidade” do sistema judicial do país, garantindo que as IDF cumpriram as leis internacionais durante a operação em Gaza, que decorreu entre 27 de Dezembro de 2008 e 18 de Janeiro de 2009.

Israel revela ali ainda que foram abertos inquéritos a 150 incidentes, dos quais 36 prosseguiram para inquérito criminal – incluindo o que visa Eisenberg e Malaka, mencionado quase apenas de passagem. Até hoje, de resto, apenas um caso resultou em condenação, de acordo com o próprio exército israelita: o de dois soldados que foram punidos com sete meses e meio de prisão por roubo de cartões de crédito a um palestiniano.

Estatísticas

  • 2279 leitores
  • 152 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1420727

Comentário + votado

Vergonha

Espera-se que os oficiais mais os mandantes sejam levados a tribunal internacional e exemplarmente ...

Pedro Torres

01.02.2010 12:34

X

Mais em Mundo (7 de 13 artigos)

Iraque: atentado contra peregrinos xiitas em Bagdad faz 41 mortos