Islamista detido em França terá confirmado planos para atacar objectivos em Paris

29.09.2005 - 16:56 Por AFP
Um dos suspeitos detidos na segunda-feira durante uma operação antiterrorista nos arredores de Paris terá confirmado a existência de planos para atacar a sede dos serviços de contra-espionagem, a linha de metro e o aeroporto da cidade, adiantou uma fonte próxima das investigações.
De acordo com a mesma fonte, não identificada pela AFP, estes três objectivos já teriam sido referidos às autoridades argelinas por um homem, identificado como Muhammad Benyamina, detido no passado dia 9 no aeroporto de Orão.
Estas informações foram transmitidas à polícia francesa, tendo constituído mais um elemento que justificou a operação desencadeada na madrugada de segunda-feira, nos arredores de Paris e na Normandia. A segurança nos três objectivos, em particular na sede da Direcção de Vigilância do Território (DST, contra-terrorismo) foi também reforçada.
Durante a operação policial foram detidas nove pessoas, suspeitas de integrarem o grupo radical argelino Grupo Salafita para a Prédica e o Combate (GSPC), seis das quais continuam sob custódia policial. As autoridades têm até amanhã para acusar os detidos, caso contrário terão de ser libertados.
Segundo a mesma fonte, pelo menos um dos detidos terá confirmado as informações reveladas pelo argelino, cuja mulher foi também detida durante a operação, sendo posteriormente libertada.
Entre os seis homens que continuam detidos está Safe Burrada, alegado líder da célula, já condenado em França por apoio logístico à vaga de atentados que abalaram o país em 1995. Libertado em 2003, Burrada foi colocado sob apertada vigilância, tendo as autoridades chegado à conclusão de que voltara a reatar os contactos com o movimento jihadista internacional.
Outro dos elementos que terá contribuído decisivamente para o lançamento desta operação foi um comunicado divulgado, em meados deste mês, pelo líder do GSPC, Abu Mussab Abedluadud, ameaçando lançar um ataque terrorista em França, país que considera o “inimigo número um” do Islão.
O GSPC é um movimento radical armado argelino, sucessor do Grupo Islâmico Armado (GIA), responsável pelo massacre de centenas de pessoas na década de 1990 na Argélia.

