Iraquianos estão mais optimistas e menos preocupados com a violência

16.03.2009 - 12:08 Por Sofia Lorena
Seis anos depois da invasão do seu país e do derrube de Saddam Hussein, a violência e a falta de segurança deixaram de ser as principais preocupações da maioria dos iraquianos. No seu lugar estão agora a economia a e falta de emprego, sugere uma sondagem realizada para as televisões BBC, ABC e NHK.
Este é o sexto de uma série de inquéritos que começaram em Março de 2004, um ano depois do início da guerra. Este ano, 85 por cento dos 2228 interrogados consideraram que a situação de segurança actual é boa ou muito boa, o que significa um aumento de 23 por cento em relação ao ano passado.
Mais de metade – 52 por cento – pensam que a situação de segurança melhorou em relação a Março de 2008. E apenas oito por cento acha que a violência piorou – há um ano 26 por cento respondiam que a situação estava pior. Em geral, a violência diminuiu de forma significativa no país, apesar de ter piorado em algumas cidades. A sondagem ouviu pessoas das 18 províncias do Iraque, mas não distingue a origem geográfica nas respostas.
Para além da violência, é a falta de serviços básicos que mais tem atormentado os iraquianos. Electricidade, água potável, combustível para cozinhar ou conduzir. Aqui também se notam algumas mudanças: nos últimos seis anos, lembra a BBC, apenas uns 10 por cento da população dizia que podia confiar no fornecimento de energia; agora, 37 por cento dão essa resposta.
Ao todo, 60 por cento dos entrevistados acreditam que a vida no Iraque estará melhor daqui a um ano. Esta é das respostas positivas que mais aumentou desde 2008 – mais 14 por cento dos iraquianos estão optimistas.
Entre as principais preocupações, desemprego e aumento dos preços aparecem empatados em primeiro lugar, à frente de ataques terroristas e do crime, que aparecem lado a lado com a falta de energia eléctrica.
Sunitas mais optimistas
A sondagem não distingue a geografia do país, mas distingue as respostas dos três principais grupos étnicos e religiosos – sunitas, xiitas e curdos. E pela primeira vez, nota também a emissora britânica no seu site, a minoria sunita deixou de aparecer como “profundamente mais pessimista do que os xiitas sobre a situação actual e as perspectivas do Iraque”.
Em relação a 2008, há mais 16 por cento de sunitas que respondem que as suas vidas estão a correr bem e na pergunta sobre como estará o Iraque daqui a um ano, mais 29 por cento dos sunitas acreditam que estará melhor – o dobro da média das respostas.
Com as forças britânicas prestes a retirarem-se completamente do Sul do país – e os norte-americanos a anunciarem para Junho a diminuição do seu contingente e a saída das grandes cidades – o inquérito também quis saber como é que os iraquianos vêem hoje essa presença. Olhando para o conjunto das forças estrangeiras, 69 por cento afirmam que estão a fazer um mau trabalho; 30 por cento dão-lhes nota positiva.
"Invasão foi errada"
Questionados sobre o papel positivo ou negativo que os países estrangeiros desempenham no Iraque, 68 por cento vêem a interferência do Irão como negativa, 64 por cento consideram o mesmo dos Estados Unidos, e 59 por cento olham para o papel do Reino Unido como negativo.
Hoje, há 56 por cento de iraquianos que pensam que a invasão de 2003 foi errada (mais 6 por cento do que o ano passado), enquanto 42 por cento dizem que invadir o seu país foi uma decisão correcta dos EUA (menos sete por cento do que em 2008).


