Iraque: Já se vota nas eleições de todas as expectativas e de todos os riscos 
28.01.2009 - 17:31 Por Sofia Lorena
Militares, prisioneiros, polícias, médicos, doentes e deslocados internos começaram hoje a votar para as eleições dos conselhos de província, que até sábado deverão levar às urnas 15 milhões de iraquianos. “Enquanto as eleições de 2005 abriram caminho à guerra civil, este escrutínio pode representar, pelo contrário, uma viragem pacífica”, escreveu o “think tank” International Crisis Group (ICG) num relatório hoje divulgado.
As legislativas de 2005 foram marcadas pelo boicote dos árabes sunitas e resultaram numa ainda maior marginalização deste grupo, dominante no regime de Saddam Hussein. Desta vez, todos vão a votos e as expectativas são muitas. Um risco, avisa o ICG, é que os partidos no Governo, os religiosos xiitas, “usem o seu acesso ao dinheiro e ao poder para influenciar o voto”.
“Teme-se a fraude face à ausência de observadores internacionais. E a oposição está completamente dividida”, descreve este instituto de análise de conflitos.
Hoje só puderam votar 614 mil eleitores, mas as diferenças já se fizeram sentir. Em Ramadi, por exemplo, a capital da província árabe sunita de Anbar, onde em 2005 só votaram mesmo alguns militares – e muitos eram de outras zonas do país e foram ali inscritos. Hoje já votaram todos os soldados da região. Se todos forem às urnas, os sunitas esperam recuperar, pelo menos a nível local, representatividade e poder. E isso é um passo fundamental para a reconciliação.
Estas são as primeiras eleições desde que a violência diminuiu e desde que expirou o mandato da ONU que regulava a presença norte-americana e entrou em vigor o acordo que coloca os militares dos Estados Unidos às ordens do Governo de Bagdad.
Desta vez, os 140 mil soldados americanos que ainda estão no Iraque não vão estar à porta dos centros de voto, mas nalgumas regiões vão passar o sábado em alerta. Só para Bagdad, as forças iraquianas mobilizaram 80 mil homens para tentar impedir a violência em redor das 1735 assembleias de voto. Como habitualmente, sábado vão estar fechadas as fronteiras do país e os aeroportos, e os carros não poderão circular no interior das cidades.
Cerca de 14 mil candidatos concorrem para os 440 lugares nos conselhos de província – de fora ficaram as três províncias da região semi-autónoma do Curdistão iraquiano. Há 4000 mulheres nas listas, um número que se explica pela lei eleitoral que obriga os partidos a apresentarem 25 por cento de candidatas.

