Iraque: "Esquadrões da morte" estarão a actuar a coberto do Ministério do Interior

16.02.2006 - 17:42 Por PUBLICO.PT, AP
As autoridades iraquianas anunciaram a abertura de uma investigação à alegada existência de “esquadrões da morte”, no seio das forças de segurança, criados com o propósito de abater civis sunitas.
A denúncia foi feita ontem pelo general Joseph Peterson, responsável pelo treino das novas forças de segurança iraquianas, em entrevista ao jornal “Chicago Tribune”.
Segundo o general, os militares norte-americanos prenderam, no final do mês passado, 22 agentes do Ministério do Interior que se preparavam para executar um civil sunita, acusado de assassinato. Este é o primeiro indício da existência deste tipo de esquadrões, há muito denunciados pelas organizações sunitas.
De acordo com o relato do general, os suspeitos, envergando uniformes das forças especiais iraquianas, foram detidos junto a um posto militar a norte de Bagdad. Quando questionados sobre qual o propósito da deslocação, os agentes responderam que iam executar o civil que os acompanhava.
“O extraordinário é que eles disseram exactamente o que iam fazer”, afirmou o general Peterson, sublinhando a impunidade com o grupo actuava.
O responsável adiantou que quatro dos detidos foram levados para a prisão de Abu Ghraib, controlada pelos militares norte-americanos, enquanto os restantes foram enviados para prisões iraquianas. As investigações levadas a cabo permitiram concluir a ligação dos suspeitos à Organização Badr, a milícia xiita controlada pelo Conselho Supremo da Revolução Islâmica (CSRI), o principal partido da coligação xiita no poder.
Os militares norte-americanos acreditam que estas unidades trabalham no seio do Ministério do Interior, mas o general Peterson não acredita que o ministro Bayan Jabr, ele também um membro do CSRI, esteja a par das actividades destes esquadrões.
Confrontado com a denúncia, o vice-ministro do Interior anunciou a abertura imediata de uma investigação à alegada existência destes esquadrões. “Fomos informados e decidimos criar um comité de investigação para descobrir mais sobre este sunita e sobre os 22 homens, em particular se são agentes do Ministério do Interior ou se apenas dizem trabalhar no ministério”, declarou o general Hussein Kamal.
Já hoje, um alto responsável militar britânico disse existirem indícios de que “esquadrões da morte” estão por detrás de muitos dos 141 assassinatos cometidos entre Novembro e Janeiro na região de Bassorá, um número que quase duplica a criminalidade registada nos meses anteriores.
O comandante Alex Wilson disse não ter provas de que estes grupos estejam a operar a coberto do Ministério do Interior, embora muitos assassinatos sejam cometidos “por homens disfarçados de polícias ou por membros do antigo departamento de assuntos internos do ministério”.
O responsável explicou que os principais visados são chefes das tribos sunitas da região, dominada pela maioria xiita, e adiantou que os assassinatos têm por objectivo eliminar os antigos responsáveis do Baas, o partido único do regime de Saddam Hussein.

