• O melhor e o pior da passadeira vermelha
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce
  • Do Brasil a Portugal vão 6764.257 km de ilustração

Primeiro projecto no seu país natal

Iraque encomenda a Zaha Hadid nova sede do banco central

02.09.2010 - 16:24 Por Luís Miguel Queirós

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
O MAXXI de Roma, de Zaha Hadid O MAXXI de Roma, de Zaha Hadid (Miguel Madeira)
A arquitecta iraniana Zaha Hadid foi convidada pelo governo do Iraque a projectar a nova sede do banco central do país, em Bagdad, que substituirá o actual edifício, atacado em Junho por bombistas suicidas num assalto que causou 14 mortos e meia centena de feridos.

Filha de um industrial iraquiano com educação inglesa, que chegou a ser ministro das Finanças e da Indústria do seu país, Hadid nasceu em Bagdad, mas vive desde o início dos anos 1970 no Reino Unido. Foi a primeira mulher a receber o prestigiante prémio Pritzker de arquitectura, atribuído em 2004 ao conjunto da sua obra, e o projecto que concebeu para o recém-inaugurado museu de arte contemporânea de Roma, o MAXXI, é um dos seis candidatos a receber, este ano, o prémio britânico de arquitectura RIBA Stirling.

Um porta-voz do gabinete da arquitecta afirmou que Zaha Hadid foi contactada pelas autoridades iraquianas algumas semanas antes do ataque ao banco central, tendo-lhe sido pedido que apresentasse um estudo de viabilidade e um esboço do projecto. Os planos de Hadid ainda não foram divulgados, mas, segundo o site Artinfo, deverão incluir um impressionante arsenal de dispositivos de segurança, visando minimizar os estragos de outro eventual ataque. O actual edifício, um “bunker” de betão revestido a mármore, ficou seriamente danificado após o assalto que sofreu a 13 de Junho, alegadamente perpetrado por uma ramificação da Al-Qaeda no Iraque.

O convite a Hadid tem uma forte dimensão simbólica, não apenas pelo facto de a arquitecta, hoje cidadã do reino Unido, ser natural do Iraque, mas também porque o seu pai, Mohammed Hadid (1907-1999), social-democrata convicto, foi uma figura relevante da política iraquiana, tendo fundado e dirigido o Partido Nacional Democrático e ocupado vários cargos de relevo na administração do país.

Oriundo de uma abastada família de Mosul, no norte do Iraque, Mohamed Hadid formou-se em Economia pela London School of Economics e foi fortemente influenciado pelas ideias socialistas do seu professor Harold Laski, que sonhou adaptar ao Iraque saído da queda do império otomano. Em 1931, quando regressou ao país, co-fundou o movimento Ahali, inspirado no Partido Trabalhista britânico, que tomou o poder em 1936. No ano seguinte, perante a deriva ditatorial de Bakr Sidqi, abandonou o Ahali para fundar o Partido Nacional Democrático. Chegou a ministro das Finanças em 1958, após um golpe de estado militar liderado por Abd al-.Karim Qasim. Uma primeira e efémera passagem pelo poder do Partido Baath, em 1963, levou-o à prisão, tendo depois trocado a política pelos negócios. Impedido de abandonar o país durante a ditadura de Saddam Hussein, só em 1995 foi autorizado a reunir-se à sua família em Londres.

Zara Hadid, que tem hoje 59 anos e é a mais nova das suas três filhas, formou-se em Matemática na Universidade Americana de Beirute e estudou depois Arquitectura em Londres. Começou a sua carreira no Office for Metropolitan Architecture, do arquitecto holandês Rem Koolhaas, que fora seu professor, e criou mais tarde o seu próprio gabinete, no final dos anos 70.

Uma boa parte da sua obra é conceptual e muitos dos seus projectos, incluindo alguns que venceram competições internacionais, nunca foram construídos, como, por exemplo, o “Peak Club”, em Hong Kong, ou a Ópera da Baía de Cardiff, no País de Gales. E, dada a situação no Iraque, e a imprevisibilidade do que poderá vir a ocorrer no país após a anunciada retirada das tropas americanas, em 2011, não é de todo de excluir a possibilidade de que também este projecto para o banco central de Bagdad nunca venha a erguer-se do chão.

Estatísticas

  • 16 leitores
  • 2 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1454083

Comentário + votado

Acreditamos nos politicos é o que dá

“Mine is the first generation able to contemplate the possibility that we may live our entire lives ...

Artur

03.09.2010 13:12

X

Mais em Mundo (19 de 25 artigos)

Os sobreviventes do acidente aéreo foram convidados a falar com os mineiros Sobreviventes dos Andes apoiam mineiros do Chile