Iraque: desapareceram mil milhões de dólares destinados às forças de segurança

19.09.2005 - 16:44 Por PUBLICO.PT
O ministro das Finanças do Iraque denunciou o desaparecimento de mil milhões de dólares (817 milhões de euros) dos cofres do seu ministério destinados à compra de armamento para equipar as forças de segurança.
“É possivelmente um dos maiores roubos da história”, afirmou Ali Allawi, em declarações ao diário britânico “The Independent”, adiantando que o desfalque terá sido feito durante o mandato do Governo provisório, liderado por Iyad Allawi.
“Desapareceram grandes quantias em dinheiro. Ficámos com pouco mais do que sobras”, sublinhou o ministro.
De acordo com Ali Allawi, os registos existentes no ministério mostram que o dinheiro em falta terá sido gasto na compra de armas à Polónia e ao Paquistão, num esquema destinado a lesar os cofres do Estado iraquiano.
Segundo o ministro das Finanças, os contratos foram redigidos de forma a que os fornecedores não tivessem que apresentar garantias ou que não pudessem ser responsabilizados por eventuais falhas, sendo que na maioria dos casos o negócio foi acordado com uma empresa sedeada em Bagdad e não directamente com os fornecedores. Por outro lado, o pagamento foi feito de imediato, sendo debitado numa conta do Ministério das Finanças no Banco Central iraquiano.
Entre o equipamento adquirido à Polónia contam-se helicópteros com 28 anos de voo, de fabrico soviético, considerados impróprios para missões, e veículos blindados de fabrico tão deficiente que são facilmente penetráveis pelas metralhadoras AK-47 usadas pelos rebeldes iraquianos, adianta o “The Independent”.
O jornal acrescenta que um carregamento de metralhadoras MP5, de fabrico norte-americano, com um custo contratado de 3500 dólares por unidade, foi substituído por um lote de cópias de fabrico egípcio com um valor aproximado de 200 dólares por arma. Ainda de acordo com a publicação, foi assinado um acordo para a compra de balas de metralhadora de calibre 7,62 mm por 16 cêntimos cada, quando o seu custo real não ultrapassa quatro a seis cêntimos.
Uma auditoria ao Ministério da Defesa apresentada em Maio ao primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim al-Jaafari, adiantava que teriam desaparecido dos cofres estatais 300 milhões de dólares, mas esse valor foi revisto pouco depois para 500 milhões e as últimas informações referem que o valor real será, no mínimo, o dobro.
Segundo Allawi o dinheiro em falta “é quase cem por cento” do orçamento que estava destinado ao Ministério da Defesa, o que põem em causa todo o programa de reequipamento da polícia e do Exército, numa altura em que as forças iraquianas tentam assumir o controlo da segurança para acelerar a partida das tropas norte-americanas.
Vários responsáveis iraquianos contactados pelo jornal dizem-se surpreendidos pela forma como o roubo foi organizado e estranham que os conselheiros militares norte-americanos destacados para o Ministério da Defesa não tenham detectado as irregularidades.
Contudo, o novo Executivo adianta que o valor total dos desfalques efectuados aos cofres públicos iraquianos durante a vigência do Governo interino, cujos membros foram nomeados pelos EUA, poderá atingir os dois mil milhões de dólares. Até ao momento foram detectados 500 milhões em falta nos ministérios da Electricidade, Transportes e Interior.

