O Governo iraquiano decidiu submeter a referendo o pacto de segurança acordado com os EUA, ao abrigo do qual se prevê a retirada das tropas americanas do país, o mais tardar, até ao final de 2011. A iniciativa visa conseguir o apoio dos principais partidos sunidas ao acordo, que deveria ter sido hoje ratificado pelo Parlamento.
O acordo, que enquadra a presença militar americana no Iraque a partir de Janeiro do próximo ano, deveria ser votado esta tarde na Assembleia Nacional, mas à última hora o presidente do Parlamento, anunciou que o adiamento da sessão para amanhã, revelando que havia uma questão ainda em aberto, após horas de negociações entre as várias bancadas. “O clima geral evoluiu para um acordo e os dirigentes políticos resolveram todos os pontos em discussão. Resta um único ponto que tem de ser negociado e é por isso que adiámos a sessão para amanhã”, anunciou Mahmud al-Mashhadani.
Pouco depois, em declarações à televisão al-Arabiya, o conselheiro para a Segurança Nacional do Governo iraquiano anunciou que o pacto, negociado durante mais de um ano entre Bagdad e Washington, vai ser referendado.
“Não é apenas o Parlamento que deve pronunciar-se sobre este acordo, mas também o povo iraquiano”, adiantou Muffak al-Rubai, acrescentando que a consulta deverá ocorrer a 30 de Julho, ou seja, meio ano depois da sua entrada em vigor. Rubai sublinha que, desta forma, a população “pode julgar de forma bem fundada” a aplicação do documento.
A maioria xiita e os seus aliados curdos têm votos suficientes para ratificar o pacto de segurança no Parlamento, onde detêm grande parte dos 275 lugares, mas o apoio das formações sunitas é essencial para o “consenso nacional” desejado pelo Governo em torno deste assunto.
Além do referendo, os dois principais blocos sunitas – a Frente da Concórdia Nacional e o Diálogo Nacional Iraquiano – colocaram outras condições para aprovar o documento, incluindo uma amnistia para dirigentes do regime de Saddam Hussein não envolvidos em crimes de sangue e garantias de representação das minorias nas estruturas de poder, agora dominadas pelos xiitas.
Em declarações à AFP, Reza Jawad Taki, deputado da Aliança Unida Iraquiana, a coligação xiita no poder, defendeu que, “caso [o acordo] seja rejeitado pelo povo iraquiano, o Governo deverá anulá-lo ou renegociá-lo”, o que poderia implicar um novo calendário para a retirada das tropas americanas.
No entanto, o analista político iraquiano Kadhim al-Miqdad considera este cenário pouco provável, dada a elevada popularidade do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, a quem são creditados os louros pela redução da violência sectária no país e o elevado alinhamento político dos xiitas com os seus dirigentes.



