Os serviços secretos norte-americanos acreditam que o Irão suspendeu em 2003 o programa para desenvolver armas nucleares e estará “menos determinado” em conseguir esse objectivo do que afirma a Casa Branca.
Ainda assim, a National Intelligence Estimate (NIE) – avaliação que reúne dados consensuais entre as 16 agências de informação dos EUA – sustenta que o Irão continua adquirir competências técnicas que poderá usar no futuro para construir uma bomba atómica e que essa não é uma hipótese descartada pelas autoridades do país.
O relatório, divulgado hoje, acrescenta que é “moderadamente” previsível que a República Islâmica consiga enriquecer urânio em quantidade e concentração suficiente para produzir uma arma nuclear “algures no prazo de 2010 e 2015”.
A avaliação dos serviços secretos contém várias conclusões diferentes das que constavam do relatório publicado há dois anos, segundo o qual Teerão “estava determinado a desenvolver armas nucleares, apesar das suas obrigações e da pressão internacional”.
A divulgação do relatório surge numa altura em que Washington tenta convencer os seus aliados ocidentais para reforçar as sanções já adoptadas contra o Irão, face à sua recusa em suspender o programa nuclear. Apesar de o documento desvalorizar alguns dos receios assumidos pela Administração, a Casa Branca veio hoje reafirmar a necessidade de “aumentar a pressão” sobre o Irão.
Os dados do NIE “mostram dão conta de algumas notícias positivas, mas também confirma que temos razões para estar preocupados com o facto de o Irão estar a tentar desenvolver armas nucleares”, afirmou Stephen Hadley, Conselheiro Nacional de Segurança do Presidente Bush.
Programa foi suspenso há quatro anos
Os serviços secretos norte-americanos concluíram “com um elevado grau de confiança que, no Outono de 2003, Teerão suspendeu o seu programa de armas nucleares”, ou seja, meses depois de a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ter começado a investigar as actividades nucleares do país.
“Consideramos também, com um moderado a elevado grau de confiança, que Teerão mantém pelo menos em aberto a opção de desenvolver armas nucleares”, acrescenta o documento, segundo o qual não foi detectada qualquer actividade que indicie o reinício de actividades suspeitas até meados deste ano.
No entanto, os peritos iranianos prosseguem os esforços para produzir urânio enriquecido à escala industrial, continuando a instalar centrifugadoras no complexo de Natanz. Teerão garante, porém, que pretende apenas produzir combustível para a sua futura central nuclear e os peritos internacionais concluíram que até ao momento o país conseguiu apenas enriquecer urânio em baixa concentração, muito aquém da necessária para desenvolver armas nucleares.
No entanto, escreve o relatório, “as autoridades iranianas continuam a desenvolver um leque de capacidades técnicas que poderão ser aplicadas na produção de armas nucleares, se a decisão for tomada”.
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