O Irão, sob suspeita de estar a desenvolver um programa atómico militar, propôs hoje “negociações globais” com vista a um “total desarmamento nuclear”, justificando que a eliminação destas armas de destruição maciça é a “única garantia contra o seu uso ou ameaça de uso”.
A proposta foi apresentada pelo embaixador iraniano nas Nações Unidas, Alireza Moaiyeri, durante a Conferência de Desarmamento (CD) a decorrer em Genebra e antecede mais um relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) sobre o dossier nuclear da República Islâmica.
“A existência de armas nucleares significa, simplesmente, que todos os Estados vão continuar a viver num permanente sentimento de insegurança”, disse o diplomata iraniano, citado pela agência Reuters. “Nesse contexto, o principal objectivo da CD deveria excluir esta fonte de insegurança e estabelecer um mundo livre de armas nucleares.”
Na terça-feira, em Paris, o director-geral da AIEA, o egípcio Mohamed ElBaradei, queixara-se de que os inspectores desta agência da ONU ainda não estão a ser ajudados pelo Irão no esforço de averiguar se este país procurou fabricar armas atómicas. No entanto, admitiu também que os iranianos abrandaram a expansão das suas centrais nucleares, sugerindo que a instalação de novas centrifugadoras em Natanz está a ser mais lenta do que se previa.
Moaiyeri assegurou que o Irão apoia o início de conversações sobre um tratado para interditar a produção de plutónio e urânio altamente enriquecido, necessários ao fabrico da bomba. Tal pacto deveria abranger os “stocks” existentes de material físsil e a sua futura produção, acrescentou o embaixador.
A Conferência de Desarmamento em Genebra não tem conseguido chegar a um consenso para negociar qualquer pacto global desde que, nos anos 1990, concordou proibir as armas químicas e as explosões nucleares subterrâneas. Diplomatas presentes na Suíça exprimiram optimismo de que a nova Administração norte-americana possa imprimir, a partir de agora, um maior dinamismo, uma vez que o Presidente, Barack Obama, se comprometeu, publicamente, com um maior desarmamento nuclear.
Entre os 65 membros da CD estão as cinco potências nucleares oficiais (Reino Unido, China, França, Rússia e os EUA), assim como os não-oficiais Paquistão, Índia e Israel. O Estado judaico deterá o único arsenal de bombas atómicas do Médio Oriente.


