Primeiro foi o antigo Presidente Mohammad Khatami, que criticou o julgamento de cerca de 100 reformistas, acusados de tentar instigar uma “revolução de veludo” dizendo que este "viola a Constituição". De seguida foi o candidato derrotado nas presidenciais de 12 de Junho, Mir-Hossein Mousavi, que sugeriu que o regime teria conseguido as confissões dos acusados através de tortura.
As críticas ao processo, que se iniciou ontem e que não tem precedentes no Irão após a revolução islâmica de 1979, mostram a continuação da tensão no país desde as eleições que deram a vitória oficial ao Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, uma vitória que continua a ser contestada pela oposição.
O antigo Presidente reformista Khatami, que tem vários colaboradores próximos no banco dos réus, disse hoje mesmo que o processo viola a constituição iraniana: “Estes julgamentos-espectáculo vão causar danos directos no sistema e piorar ainda mais a confiança do público”, disse, numa declaração no seu site.
Já Mousavi acusou as autoridades de terem arrancado as confissões dos réus através de tortura: “De que querem convencer o povo com confissões que lembram torturas antiquadas?”, questionou Mousavi, também no seu site.
Quanto às confissões, em que os arguidos admitiam “ligações com os inimigos e um plano para derrubar a República Islâmica”, Mousavi comentou: “Tudo o que ouvi foi um gemido que traduz tudo aquilo por que passaram nestes últimos 50 dias”, disse.


