"O Irão lançou hoje o seu primeiro míssil espacial feito por cientistas iranianos". Foram estas as palavras de Mohsen Bahrami, o responsável do centro de investigação areoespacial iraniano, na hora do anúncio, na TV, deste lançamento de hoje, inédito para o Irão.
Já no Sábado o ministro da defesa iraniano Mostafa Najjar tinha anunciado que estava para breve o lançamento de uma missão espacial iraniana, não tripulada para colocar em órbita um satélite, a bordo de um lançador iraniano. mas nunca se pensou que o feito, embora sem satélite a bordo, ocorresse tão cedo.
Esta capacidade agora conhecida do Irão colocar mísseis no espaço está a ser observado com muita atenção pelos países ocidentais, uma vez que a tecnologia que agora coloca o irão no espaço também pode ser usada para lançar mísseis balísticos inter-continentais.
O Irão lançou em 2005 o seu primeiro satélite, o Sina-1, com a ajuda de um lançador russo e disse então que estava a planear alterar o seu míssil Shahab-3, capaz de atingir dois mil quilómetros, para lançar satélites de forma autónoma.
Bahrami, que diz que este foguetão, ou míssil adaptado, foi construido em colaboração entre os ministérios da Defesa e Ciência, não adiantou muito mais detalhes sobre a sua capacidade ou objectivos futuros. E a notícia deste lançamento, que apenas apareceu uma vez na televisão estatal, também não teve eco noutros media.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs sanções ao Irão que, passam, entre outras coisas, pela proibição de investir em tecnologia e "know-how" na área nuclear e de mísseis, imposição que foi originada pela pressão do ocidente que teme que o Irão use essa tecnologia para produzir bombas atómicas. Mas Teerão frisa que o investimento em energia atómica que tem feito tem apenas objectivos civis e de produção de electricidade.
O ministro da Defesa já tinha afirmado, segundo o diário iraniano "Etemad-e Melli", que era seu objectivo colocar o Irão no clube restrito dos países com missões espaciais, com a ajuda da experiente Rússia.


