O Irão expulsou do país o embaixador do Canadá em Teerão, anunciou ontem à noite o chefe da diplomacia canadiana, Maxime Bernier, qualificando a decisão de "completamente injustificável".
"O Canadá lamenta a decisão do governo iraniano ordenando ao nosso embaixador para abandonar Teerão, o que é completamente injustificável", declarou Bernier em comunicado.
"O Canadá e o Irão tentam entender-se sobre uma troca de embaixadores há já algum tempo, mas infelizmente foi-nos impossível aceitar as propostas de Teerão até ao presente. Acreditamos que a expulsão do nosso embaixador é uma consequência infeliz e injustificada desta situação", explicou.
Teerão expulsou no domingo John Mundy, o embaixador nomeado pelo Canadá, e parece querer "diminuir a importância" das suas relações diplomáticas com o Canadá, precisou à AFP Shaun Tinkler, o porta-voz do ministério canadiano dos Negócios Estrangeiros.
A permanência da embaixada canadiana em Teerão será assegurada por um responsável de negócios.
"As embaixadas dos dois países nas respectivas capitais vão permanecer abertas e continuarão a exercer as suas actividades habituais", assegurou por seu lado o ministro canadiano dos Negócios Estrangeiros, que disse querer "manter a comunicação" com as autoridades iranianas.
A expulsão não foi mencionada na página dos Negócios Estrangeiros iranianos nem noticiada pela agência iraniana IRNA.
As relações entre o Canadá e o Irão são tensas desde 2003, ano da morte da fotógrafa irano-canadiana Zahra Kazemi, aos 54 anos. Kazemi foi baleada em Junho desse ano, quando fotografava a prisão de Evine, em Teerão, tendo morrido de uma hemorragia cerebral, em consequência do disparo.
A justiça iraniana absolveu, em primeira instância, o alegado assassino de Zahra Kazemi, tendo o Canadá protestado contra a decisão.



