Irão: Exercícios militares a partir de amanhã para defender centrais nucleares

21.11.2009 - 15:56 Por PÚBLICO
O Irão vai começar amanhã cinco dias de exercícios militares “de defesa aérea em larga escala” que visam treinar a proteger as centrais nucleares do país de qualquer ataque, revelou o brigadeiro Ahmad Mighani, comandante da unidade iraniana de defesa antiaérea, citado pela agência estatal Fars.
Os exercícios envolvem também as unidades dos Guardas da Revolução e as milícias Bassij, para “melhorar a cooperação entre as diferentes unidades do exército”, precisou Mighani, sugerindo igualmente que o Irão pode produzir autonomamente um sistema avançado de defesa antimíssil – algo que Teerão negociou com a Rússia mas que Moscovo tem vindo a adiar a entrega alegando dificuldades técnicas.
“Esperamos que os russos ignorem as pressões do lobby sionista”, afirmou usando os termos a que o regime iraniano recorre para se referir a Israel. O Irão crê que os atrasos na entrega do sistema negociado com a Rússia – mísseis S-300 – se devem a pressões exercidas por Israel e pelos Estados Unidos.
Tanto Washington como Telavive não afastam a possibilidade de avançar com acções militares caso a via diplomática não forneça solução à contenda sobre o programa nuclear iraniano, para o qual muitas potências ocidentais olham com desconfiança temendo a ambição de Teerão desenvolver armamento atómico mas que o Irão sustenta destinar-se exclusivamente à produção de energia.
Estes novos treinos iranianos – que o país desenvolve com alguma regularidade para fazer valer a sua voz no palco internacional – foram anunciados um dia apenas depois de representantes dos países do grupo dos seis (os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China – mais a Alemanha) terem manifestado “desapontamento” por o regime de Teerão não ter dado resposta positiva ao plano oferecido para resolver este diferendo nuclear.
Os seis instaram o Irão a reconsiderar mas nada avançaram sobre um reforço das sanções, na linha do aviso deixado há um par de dias pelo Presidente norte-americano, Barack Obama, dando conta que tal pode ocorrer nas próximas semanas.

