O Irão espera uma “mudança concreta” da política americana em relação a Teerão, indicou hoje o porta-voz do governo iraniano Gholam Hossein Elham, segundo a agência Isna, depois de o Presidente americano Barack Obama ter indicado estar preparado para estender a mão ao regime islâmico, caso este aceite “descerrar o punho”.
“Esperamos mudanças concretas do novo chefe de Estado americano”, indicou Elham, citado pela agência, acrescentando que o Irão vai esperar para ver se “as mudanças ocorrem ou não” e que as irá comentar “em tempo útil”.
O porta-voz comentava as propostas do Presidente Barack Obama, feitas ontem, bem como as da nova embaixadora americana junto da ONU, Susan Rice, que resumiu a estratégia a adoptar desta maneira: uma “diplomacia vigorosa” que compreenda uma “diplomacia directa” em relação a Teerão.
Gholam Hossein Elham explicou que a mudança que se espera da América durante a era Obama já foi definida anteriormente pelo Presidente Mahmoud Ahmadinejad: que os EUA aceitem que não são um “império”, e que permaneçam dentro das suas próprias fronteiras.
No dia 15 de Janeiro, pouco antes da tomada de posse de Obama, Ahmadinejad considerou que os Estados Unidos deveriam parar com as suas “ingerências nos assuntos de outros países” e que “deveriam limitar a sua política à sua própria nação”.
Elham afirmou ainda que o Irão “vai esperar para ver se as mudanças de que falam os responsáveis americanos acontecem ou não”.
Obama explicou numa entrevista à cadeia al-Arabiya que a sua administração irá elaborar durante os próximos meses “o quadro geral e a aproximação” para um diálogo com o Irão.
Porém, é sabido que Barack Obama, tal como George W. Bush, insiste que o Irão suspenda o seu programa de enriquecimento de urânio.
Os EUA, como boa parte da comunidade internacional, acreditam que esse programa terá fins militares, apesar de Teerão sempre ter garantido que os seus objectivos são puramente civis e pacíficos.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas já adoptou quatro resoluções – incluindo sanções económicas e comerciais – exigindo que o Irão já suspendeu as suas actividades de enriquecimento de urânio.


