O Irão vai dar amanhã à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) uma resposta sobre a proposta de acordo para a transferência de uma parte do seu urânio pouco enriquecido para ser processado no estrangeiro, anunciou hoje a agência noticiosa Mehr.
A resposta será dada pelo representante iraniano Ali Asghar Soltanieh, num encontro em Viena, Áustria, com o responsável da AIEA, Mohamed ElBaradei, mas deverá incluir algumas propostas de alteração ao acordo.
A AIEA tinha proposto ao Irão que fossem enviados para o estrangeiro 1200 quilos de um total de 1500 quilos de urânio pouco enriquecido para o estrangeiro, até ao final deste ano, mas amanhã será conhecida a resposta do Irão que poderá incluir propostas de mudança relacionadas com a quantidade ou o prazo. Hoje a agência Mehr noticiou que Ali Asghar Soltanieh “irá encontra-se na quinta-feira em Viena com Mohamed ElBaradei e dará a resposta do Irão”.
A agência noticiosa iraniana, citada pela AFP, adianta ainda que, de acordo com “um responsável informado”, o Irão “aceitará a proposta para a disponibilização do combustível destinado ao reactor de investigação de Teerão” mas “irá propor modificações no texto do acordo”. Na terça-feira a estação de televisão iraniana em língua árabe Al-Alam noticiou também que o Irão iria propor “mudanças importantes” ao texto do acordo, que foi apresentado após as negociações de 21 de Outubro em Viena, que se prolongaram por mais de dias entre o Irão, a Rússia, os Estados Unidos e a França.
ElBaradei apresentou então o projecto de acordo que pretende atenuar as preocupações de vários países ocidentais sobre as actividades iranianas relativas ao nuclear. Washington, Moscovo e Paris aprovaram a proposta da AIEA, o Irão pediu mais alguns dias para dar uma resposta.
O Irão já foi visado por cinco resoluções do Conselho de Segurança da ONU e três delas resultaram na aplicação de sanções. A questão do enriquecimento de urânio é fundamental nestas negociações sobre o programa nuclear do Irão, uma vez que o urânio pouco enriquecido é usado em centrais nucleares civis, enquanto este mineral fortemente enriquecido permite fabricar armas nucleares.


