O Conselho dos Guardiães, órgão legislativo de topo no Irão encarregue de supervisionar as eleições, afastou esta manhã qualquer hipótese de anular os resultados do sufrágio e 12 de Junho que deu ao Presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, um segundo mandato presidencial. “Nenhuma fraude ou infracção maior” foi encontrada, justificaram, indeferindo a exigência feita por dois candidatos derrotados, o moderado Mir-Hossein Mousavi e o clérigo pró-reformas Mehdi Karoubi.
“Nenhuma das reclamações apresentadas foi aceite pelo Conselho”, afirmou o porta-voz dos 12 guardiães, Abbas Ali Kadkhodaie, citado pelo canal anglófono Press TV, que depende da televisão estatal iraniana. “Não há hipótese nenhuma de anulamento [do escrutínio]”, asseverou, depois de, na véspera o Conselho ter já dado conta que apesar de terem sido registados mais votos do que eleitores em alguns distritos (50), tal não tem “influência importante” no resultado final – e isto, avançaram, explica-se por os iranianos poderem votar onde quiserem, pelo que em alguns distritos esses números poderiam não bater certo, por serem áreas de migrações internas.
O Conselho já desde a semana passada que dava sinais de que não iria anular as eleições – apesar das 646 queixas apresentadas pelos candidatos derrotados – disponibilizando-se a uma recontagem tão só de dez por cento dos boletins. Desde o anúncio dos resultados, no passado dia 13, o Irão assiste aos mais violentos protestos de rua desde a Revolução Islâmica de 1979.
Desde sexta-feira, de resto, que os resultados receberam o aval do Supremo Líder ayatollah Ali Khamenei – que detém a última e mais poderosa palavra nos assuntos do país – com um discurso reconhecendo Ahmadinejad como o vencedor legítimo das eleições e afastando qualquer hipótese da ocorrência de fraudes e instando os iranianos a porem termo aos protestos.
Mas as ruas prosseguiram repletas de manifestantes, dando resposta aos apelos dos candidatos derrotados, sobretudo de Mousavi que não desistiu do desafio directo feito ao regime de Teerão: ontem mais de mil pessoas protestaram contra a eleição de Ahmadinejad, registando-se novos confrontos entre os manifestantes e a polícia. Pelo menos dez pessoas morreram desde que Khamenei expressamente proibiu os protestos de rua.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon exigia ainda ontem à noite “o fim imediato das detenções, das ameaças e do uso da força” por parte das autoridades iranianas contra a oposição. Em comunicado, reiterou também a “esperança de que a vontade democrática do povo iraniano seja plenamente respeitada” e apelou ao respeito pelos “direitos cívicos e políticos fundamentais, em particular da liberdade de expressão, de manifestação e de informação”.


