Irão: Ahmadinejad declara-se pronto a dialogar com os Estados Unidos

10.02.2009 - 09:50 Por PÚBLICO, com agências
O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou esta manhã que o regime de Teerão está "pronto" a dialogar com os Estados Unidos “num clima de igualdade e de respeito mútuo”. O sinal de abertura – que se seguiu à oferta de ramo de oliveira feita na véspera pelo Presidente norte-americano, Barack Obama – foi dado durante um discurso perante dezenas de milhares de iranianos a festejarem o 30º aniversário da revolução islâmica.
“A nova Administração americana disse querer uma mudança e encetar o caminho do diálogo, mas a mudança deve ser fundamental e não táctica. O povo iraniano acolhe mudanças verdadeiras”, sublinhou Ahmadinejad, cujas declarações foram transmitidas pela televisão estatal – enquadrado por um mar de apoiantes, muitos empunhando cartazes com as “tradicionais” palavras de ordem dos radicais iranianos de “morte à América” e “morte a Israel”.
Ontem à noite, durante a sua primeira conferência de imprensa na Casa Branca – 20 dias passados desde a tomada de posse – Obama manifestou de novo a vontade de romper com o passado da Administração de George W. Bush e de dar início a uma nova era de diálogo com os países considerados inimigos dos Estados Unidos. Com especial enfoque no Irão, disse que antevia a possibilidade de uma nova abertura diplomática nos meses vindouros.
“Procuraremos vias de abertura que podem ser criadas, para que possamos sentar-nos à mesma mesa, cara a cara; aberturas diplomáticas que nos permitam fazer mover a nossa política [externa] numa nova direcção”, afirmou Obama, expressando uma clara inversão da política de isolamento do Irão prosseguida por Bush. Mas, sublinhou ainda, “é altura de, agora, o Irão enviar sinais que provem que quer agir de forma diferente”.
“Doravante grande potência”
Washington e Teerão mantêm diferendos em diversas questões, como o controverso dossier nuclear iraniano no topo delas. O Irão argumenta que tem apenas objectivos civis, de produção energética, mas as forças Ocidentais – com Bush na frente do pelotão – suspeitam que o programa esteja a servir para o regime de Ahmadinejad disfarçar ambições nucleares militares.
“O mundo não deseja a repetição do período negro do [ex-Presidente norte-americano] Bush. Se há quem esteja a tentar repetir essa experiência através de novos métodos, saibam que o destino que os espera será ainda pior do que o de Bush”, disse Ahmadinejad, mantendo um tom de desafio aos Estados Unidos com o aviso de que “o Irão é doravante uma grande potência”.
Referia-se aqui Ahmadinejad ao que descreveu como os “grandes feitos científicos e tecnológicos” recentes do Irão, em particular no domínio nuclear e em relação ao envio – na semana passada – de um satélite para o espaço.
“Graças a Deus e com a resistência do povo iraniano aos inimigos, a sombra da ameaça ao Irão foi afastada para sempre. Declaro oficialmente que o Irão se tornou numa verdadeira potência”, exortou o chefe de Estado, no dia em que o país celebra os 30 anos de capitulação do último Governo iraniano que gozava de apoio norte-americano. No final daquele mesmo ano, de 1979, um grupo de estudantes radicais tomou de assalto a embaixada dos Estados Unidos em Teerão, mantendo 52 norte-americanos reféns durante 444 dias e Washington cortou as relações diplomáticas com o Irão em 1980.

