Militares britânicos acusados de equiparem grupos armados iranianos

Irão acusa Reino Unido de envolvimento nos atentados em Ahvaz

25.01.2006 - 17:34 Por AFP, Reuters

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Ahvaz é a capital da região petrolífera do Khuzistão, onde a maioria da população é árabe Ahvaz é a capital da região petrolífera do Khuzistão, onde a maioria da população é árabe (AP)
O Irão acusou hoje o Reino Unido de envolvimento nos atentados que ontem fizeram oito mortos em Ahvaz, uma cidade de maioria árabe no sudoeste do país. A acusação já foi rejeitada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iranianos.

“A marca dos ocupantes do Iraque nos crimes de Ahvaz é visível e eles devem assumir a responsabilidade pelos seus crimes”, afirmou o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que tinha uma visita agendada para ontem à cidade, desmarcada à última hora por razões de segurança.

“Os nossos inimigos devem saber que estes actos terroristas infames não irão enfraquecer a determinação do Irão”, sublinhou o dirigente ultraconservador, numa referência às ambições nucleares do regime iraniano, no centro de uma disputa internacional que deverá levar o Conselho de Segurança da ONU a pronunciar-se sobre o caso.

Pouco antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Manuchehr Mottaki, tinha acusado os militares britânicos de auxiliarem grupos armados que lutam contra o regime iraniano.

“O Reino Unido acolhe no seu território grupos terroristas e dá-lhes meios consideráveis para promoverem livremente as suas actividades, tal como aconteceu com as acções terroristas de ontem em Ahvaz”, afirmou Mottaki.

“Temos informações que provam que os militares britânicos equipam e definem as missões destes elementos”, insistiu o dirigente, afirmando que estes grupos “contam com a cooperação dos comandantes militares britânicos e têm acesso às suas instalações em Bassorá”, cidade iraquiana onde estão sedeadas as forças britânicas.

Mottaki referia-se claramente à Frente Popular Democrática dos Árabes de Ahvaz, o grupo armado que reivindicou a autoria dos atentados de ontem. A milícia, com pouca expressão, luta há anos pela independência da província do Khuzistão, de que Ahvaz é a capital - uma região rica em petróleo, na fronteira com o Iraque.

A diplomacia britânica já considerou “sem fundamento” as acusações feitas por Teerão. “Rejeitamos as declarações do senhor Mottaki. Qualquer ligação entre o Governo de Sua Majestade e estes atentados terroristas é desprovida de qualquer sentido”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Esta não é a primeira vez que Teerão acusa Londres de envolvimento em incidentes ocorridos em Ahvaz, onde a situação permanece tensa desde Abril do ano passado, quando cinco pessoas morreram nos protestos desencadeados pelo rumor de que Teerão estaria a planear deslocar populações não-árabes para a região.

Em Junho, sete pessoas morreram em diferentes ataques e quatro meses depois outras seis pessoas morreram e perto de cem ficaram feridas num atentado igualmente reivindicado pelos separatistas.

Na altura, Teerão acusou Londres e Washington de estarem a tentar “incendiar as tensões étnicas e religiosas no Médio Oriente”.

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