O Irão recebeu com interesse – ainda sem manifesto entusiasmo – a proposta dos Estados Unidos para que se envolva mais na discussão da questão afegã. Mas o sim definitivo só chegará nas próximas semanas.
Numa entrevista à televisão sérvia RTS, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Manuchehr Mottaki, disse que o seu Governo estava a “reflectir” no convite, feito pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a que responderá quando o chefe da diplomacia italiana, Franco Frattini, visitar Teerão proximamente.
O funcionário explicou que o talvez não é um sim, apenas a promessa que o assunto vai ser “examinado”. Mas pouco antes o porta-voz do Governo, Gholam Hossein Elham, tinha mostrado a mesma abertura, sujeita apenas a um pedido formal. “Se precisam de nós, mandem um convite que logo o examinaremos”, afirmou.
A questão – uma das pedras de toque da nova diplomacia americana – progride de dia para dia, desde que Clinton propôs na quinta-feira a realização do encontro, no dia 31, para consertar uma estratégia para a reconstrução e pacificação do Afeganistão, onde os ganhos no terreno estão a pender para os taliban apesar da panóplia de tropas e armas ocidentais.
No dia seguinte, a secretária de Estado lembrou a Teerão que pense bem antes de responder pois tem “numerosos motivos” para se juntar à discussão.
Os iranianos reagiram afirmando que se alguém tem imediatamente interesse nisso são os ocidentais, convidando-os a perguntarem aos afegãos se ganharam alguma coisa com a guerra dos últimos sete anos, para verem logo que não, mas ficaram de pensar no assunto.
A AFP lembra dois motivos por que o Irão teria – terá – interesse em participar: o aumento da produção de ópio no Afeganistão, e assim o aumento do consumo entre a população iraniana, e as relações estreitas que mantém com as populações xiitas do outro lado da fronteira, um quadro com pouco tem a ver com o tempo em que os talibans (sunitas) estiveram no poder em Cabul.
O convite a Teerão para se envolver na questão na procura de uma solução para o Afeganistão corre paralelo a uma série de apontamentos críticos feitos no passado por políticos e militares ao estilo da intervenção ocidental, apontando para a necessidade de uma mudança de estratégia, e quando Washington se mostra disposta ao diálogo com a República Islâmica, rompendo com a política de isolamento de Teerão seguida pela Administração Bush.



