O vulcão do Monte Merapi, na Indonésia, entrou em erupção pela terceira vez. Uma nuvem de cinzas de mais de 12 quilómetros, mais forte do que aquela que matou 34 pessoas na terça-feira, obrigou à saída das populações da província de Java Central ontem à noite.
A nova erupção do Montanha de Fogo – denominação do Merapi em javanês – aconteceu quando eram cerca de uma da madrugada locais (19 horas de ontem em Lisboa) e voltou a assustar os habitantes da ilha de Java.
Mesmo a polícia e soldados indonésios tentavam fugir em carros e motociclos, segundo descreve a AFP. Um estudante de fotografia australiano presente em Yogyakarta, a maior cidade mais próxima do vulcão, a cerca de 60 quilómetros, contou à BBC que se via um monte de cinza “a cair como neve.”
As autoridades de Yogyakarta asseguram que o perigo está circunscrito a um perímetro de 10 quilómetros a partir do Merapi. Ainda assim, o aeroporto de Yogyakarta foi temporariamente encerrado para retirar a cinza que cobria a pista.
Pelo 47 mil pessoas estão a viver resguardadas em acampamentos, disse a Agência Nacional de Desastres da Indonésia. Algumas voltaram a casa para ver como estavam as propriedades e os animais.
298 vítimas do tsunami desaparecidas
A Indonésia enfrenta neste momento duas catástrofes naturais oa mesmo tempo. O outro é o tsunami que, na segunda-feira, arrasou cerca de uma dezena de aldeias do arquipélago de Mentawai, em Sumatra Ocidental. O último balanço das autoridades aponta para a morte de 451 pessoas, entre as vítimas afectadas pelas erupções da Montanha de Fogo e do tsunami.
O Merapi é um dos 129 vulcões activos com maior actividade na Indonésia, do qual há registo de ter entrado em erupção perto de 70 vezes desde meados do século XVI, numa média de quatro em quatro anos.
À parte dos números oficiais, as autoridades acreditam que o número de mortes do tsunami possa ultrapassar as 600. O número de vítimas mortais tem sido revisto em alta desde segunda-feira. Suryadi, um dos responsáveis pelas operações de socorro, precisou à AFP que estão confirmados 413 mortos e que continuam desaparecidas 298 pessoas.
“A ajuda chegou em grande quantidade. Infelizmente, o número de barcos [de salvamento] é insuficiente para [os] distribuir rapidamente” nas aldeias remotas de pescadores devastadas pela onda de mais de três metros do tsunami, explicou à AFP Suryadi.
Muitos países mostraram-se disponíveis a ajudar vítimas dos desastres que têm afectado a Indonésia nos últimos dias. A Comissão Europeia prometeu, há dois dias, enviar 1,5 milhões de euros, um montante capaz de socorrer 87 mil pessoas.



